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Saturday, March 26, 2011

“SuckerPunch” mostra o poder da imaginação em um filme empolgante

Os cientistas gostam de afirmar que o que separa os seres humanos dos outros animais é a sua capacidade de pensar e utilizar o cérebro de uma maneira mais completa. Entre essas atribuições exclusivas dos humanos, está a imaginação. Uma arma poderosa, como você bem sabe. Quem nunca se imaginou num outro mundo, fazendo coisas impossíveis? Ou então, quem nunca se imaginou vivendo naquele game que joga, no livro que lê ou no filme que assiste? Realmente, a imaginação é poderosa, e pode nos fazer, também, supera problemas mais sérios.

É exatamente esse poder absoluto e de total controle dos homens que Zack Snyder, diretor de ótimos filmes, como “Watchmen” e “300”, mostra em “Sucker Punch – Mundo Sureal”, sua nova produção, totalmente idealizado por ele (além do diretor, ele também é o produtor e o roteirista do longa). “Sucker Punch” une tudo aquilo que os adoradores do cinema “pipocão” prezam (belas mulheres, ação desenfreada, efeitos de cair o queixo), porém, é tudo isso e muito mais, como vou tentar mostrar para vocês.



A história mostra Babydoll (Emily Browning, de “Desventuras em Série”, sendo levada à um hospital para doentes mentais após a morte de sua mãe. Herdeira de uma grande fortuna, esse é o único jeito de seu padrasto ficar com todo o dinheiro. No hospital, Emily busca no fundo da sua mente uma maneira de escapar. Para isso, ela cria mundos inusitados, onde precisa completar missões.

Com essa sinopse, Zack Snyder abre um leque infinito de opções. Afinal, quantos mundos diferentes você mesmo já não imaginou? Para ajudar em sua missão, Babydoll conta com a ajuda de suas amigas Sweet Pea (Abbie Cornish), Rocket (Jena Malone), Amber (Jamie Chung) e Blondie (Vanessa Hudgens).

A história pode parecer maluca, mas funciona. E muito. O roteiro construído poder confundir os menos atentos no início, porém, no decorrer da exibição, tudo vai fazendo sentindo e se encaixando. Em certos momentos, você pode até pensar “onde tudo isso vai dar?”, e não se sinta estranho por isso. Esse é o charme do filme. O final, posso adiantar, é um tanto quanto surpreendente.

Mas não dá para negar que, logo de cara, o que nos chama a atenção do filme é o seu visual. Primoroso, já deixo claro, e uma verdadeira beleza aos olhos de simples mortais. Tudo, tudo, é cheio de detalhes e muito bem construído. Tudo parece real e pode fazer alguns queixos caírem em pontos específicos da produção. Eu destaco a cena inicial do longa, ao som de “Sweet Dreams”, uma sequência que eu gostei muito e que é de fazer qualquer um babar.



E os efeitos especiais estão em toda parte. Cada mundo criado por Babydoll é riquíssimo e muito, muito bonito. Desde mundos tecnológicos até terras medievais, passando ai por templos orientais. Tudo lindo. Dá aquela sensação de nada é efeito especial, de tão bem feito. Veja a luta entre Babydoll e os três samurais gigantes, e você vai ver do que eu estou falando.

Agora, use sua imaginação assim como Babydoll e visualize todos esses elementos num filme típico de Zack Snyder. Sim, lá estão as sequências clássicas do diretor, sempre em câmera lenta. A cena inicial, que eu citei ali em cima, por exemplo, é toda com velocidade reduzida. Mas é incrível como essa técnica funciona muito melhor em “Sucker Punch” do que em “Watchmen”, por exemplo. Claro, esse não seria um filme de Snyder sem as cenas em câmera lenta, mas acredite, nesse filme elas fazem todo o sentido e dão um novo charme.

Não posso deixar de falar na trilha sonora do filme – que eu estou ouvindo ao escrever esse texto. As músicas empolgam e dão a sensação exata do que está acontecendo. Fora a já citada “Sweet Dreams”, com uma roupagem nova, estão lá também We Will Rock You, Where Is My Mind (com participação da própria Emily Browning) e a ótima Tomorrow Never Knows.

Claro que ainda não falei das atuações. Pra variar, também estão ótimas. Destaque para Jena Malone, a Rocket. Impossível não sentir o carisma da personagem. Todas as atrizes principais mandam muito bem, mas Jena tem um “quê” à mais. Vanessa Hudgens está irreconhecível e nem parece aquela menina boba de High School Musical. Emily Browning cresceu, e sua expressão também.

Eu poderia falar muito mais sobre “Sucker Punch”, mas vou fazer diferente. Termine de ler esse texto e vá assistir esse filme. Se já assistiu, vá ouvir a trilha sonora. Se já fez isso, lembre-se das frases um tanto quanto poéticas que permeiam o filme. Unindo tudo de bacana e mais um pouco, o primeiro filme “de verdade” de Zack Snyder (todos seus anteriores eram adaptações), é uma obrigação para quem gosta de uma história louca, mas bem contada.

Sunday, February 20, 2011

“127 Horas”: James Franco e Danny Boyle levam solidão e esperança às telas

“Você é demente!”. É com essa frase que a dupla de amigas Kristi (Kate Mara) e Megan (Amber Tamblyn), definem Aron Ralston (James Franco), um excêntrico engenheiro que gosta mesmo é de se aventurar pelo deserto e pelas fendas dos canyons de Utah, nos Estados Unidos. Como o próprio avisa, aquele é seu segundo lar. Mas tanta familiaridade com a areia e todo o ambiente hostil do deserto não evitou que o aventureiro topasse – literalmente – com uma pedra no seu caminho.

“127 Horas”, do diretor Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?, 2008), é uma história real de superação e agonia de Aron, que fica preso numa fenda por causa de uma pedra que esmaga seu braço, no meio do deserto, com algumas barras de cereal, menos de 500 ml de água, uma corda e alguns outros poucos equipamentos. Aron torna-se vítima de seu próprio egoísmo, já que ninguém sabia onde o aventureiro estava. A nova produção de Boyle foi reconhecida peça academia, e concorre à seis Oscar (melhor filme, melhor ator, melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora, melhor canção original, melhor edição).

Não há como falar de “127 Horas” sem citar “Quem Quer Ser Um Milionário?”, filme que ganhou oito Oscar em 2009. Alguns detalhes e efeitos usados por Boyle na história de Jamal, podem ser revistos no longa com James Franco, mesmo que de maneira mais sutil e menos freqüentes. Além disso, o diretor resolveu de maneira muito singular uma questão primordial da produção: a sensação de solidão.

Logo no início, somos bombardeados com uma tela dividida em três, com imagens de uma arquibancada lotada, passageiros saindo do trem e a vida agitada de Aron, tudo para mostrar a correria e a agilidade da cidade grande. Mas em seguida, essas imagens dão lugar à cenas de uma auto-estrada longa e vazia e vales e montanhas no deserto. Tudo para mostrar que Aron está prestes à presenciar a solidão mais profunda.

O filme também tem outra vitória no quesito “sensações”. Além da solidão, a produção passa as vontades e agonias do aventureiro para o próprio espectador. Numa das cenas, por exemplo, em que Aron está com sede, imagens de refrigerantes estupidamente gelados, cervejas, sucos transbordando, piscinas azuis e tudo que remete à água e à sede surgem na tela. Aron lambe os lábios secos, e muita gente n cinema faz o mesmo.

A ótima trilha sonora acompanha esse ritmo. Enquanto as imagens iniciais rolam na tela grande, “Never Hear Surf Music Again”, do Free Blood, invade os ouvidos dos espectadores. Porém, é nos momentos mais dramáticos que a triilha criada por A. R. Rahman mostra sua força, como quando Aron vê-se preso e sem saída. Inclusive, a ótima “If I Rise”, da Dido, executada ao final do longa, concorre ao Oscar.

Além da ótima trilha sonora, impecável mesmo é a fotografia de Enrique Chediak e Anthony Dod Mantle. E aqui vai uma injustiça do Oscar 2011: “127 Horas” tinha que estar concorrendo nessa categoria, pois tem um visual deslumbrante! As sequencias de Aron no meio do deserto, com sua bicicleta, são ótimas, assim como as que mostram seus devaneios verbais diante a filmadora que ele carrega consigo.

E se tudo isso é muito bom (trilha, fotografia, sensações, roteiro), quem poderia ter sido escolhido para viver Aron de modo impecável? Queira você ou não, mas James Franco faz isso de maneira colossal. De longe, a sua melhor atuação de todos os tempos. Ele faz rir quando tem de fazer, transmite emoção e angustia quando necessário, faz caras e bocas e mostra trejeitos de uma pessoa que nunca perde as esperanças. Concorre ao Oscar como melhor ator, e pode levar, merecidamente.

Enfim, “127 Horas” pode não ser um dos favoritos em algumas estatuetas do Oscar 2011, mas é um filme de qualidade. Danny Boyle fez um ótimo trabalho ao adaptar o livro escrito pelo próprio Aron Ralston às telas. É um filme denso, com passagens fortes e uma lição de vida para, ao menos, não esquecer. Muito mais do que isso, é um filme sobre a esperança. Mesmo que, para mantê-la, sejam necessários grandes sacrifícios.



Monday, February 7, 2011

O belo, dramático e psicótico ballet do “Cisne Negro”

Muito antes de “Cisne Negro”, o novo filme de Darren Aronofsky (de “O Lutador”, de 2008), que estreou nesta sexta-feira, dia 04, ser indicado à cinco estatuetas no Oscar 2011 (melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor fotografia e melhor edição), ele já era uma das estréias que eu mais esperava para esse ano, que promete ser ótimo para os cinéfilos de plantão. A junção de um ótimo diretor com um elenco de primeira não tinha como resultar em um filme meia boca. E eu não me enganei: em todos os seus 103 minutos de duração, “Cisne Negro” não decepciona, apresentando atuações incríveis, um roteiro impecável e uma fotografia e trilha estupendas.



A trama, basicamente um drama, tem ramificações que a levam ao terror e ao suspense psicológico, com braços que chegam um tanto aos musicais. Nina (a indescritível Natalie Portman), é a escolhida por Thomas (Vincent Cassel), dono de uma companhia de ballet, para substituir Beth (Wynona Rider), uma experiente dançarina, na nova montagem de “A Lagoa dos Cisnes”. Na peça, Nina precisa interpretar tanto o Cisne Branco, cheio de graça e inocência, quanto o Cisne Negro, irmão gêmeo cheio de inveja e sensualidade.

Nina é perfeita para o papel de Cisne Branco. Ela própria é uma jovem meiga e esforçada, e transcende essas características em sua dança. Mas Thomas duvida de seu potencial quanto ao Cisne Negro, um personagem forte, sexy, cheio de inveja. Eis que surge Lily (Mila Kunis), uma nova dançarina que parece ser o oposto perfeito de Nina e quer, também, ser a protagonista da peça. A partir daí, Nina passa a buscar “ser perfeita”, tanto para um papel, quanto para o outro. Porém, a pressão da estréia e do papel começam a fazer com que Nina se sinta atormentada e perseguida. Assim, dentro da cabeça da dançarina, as coisas parecem não ser exatamente como são.

É com esse enredo que Natalie Portman mostra uma atuação impecável. E com essa mesma atuação é que a atriz venceu o Globo de Ouro e é uma das preferidas para o Oscar deste ano. Não é para menos: ao mesmo tempo em que se mostra uma garota sensível em boa parte do filme, ela também mostra um tom dramático bastante forte quando lhe é necessário. As boas atuações continuam com Vincent Cassel e Mila Kunis, além da sempre incrível Wynona Ryder. Porém, não há como negar que esse é “o” filme de Natalie Portman: ela nunca esteve tão bem.





“Cisne Negro” abusa dos contrapontos. Mostra a batalha eterna do meigo, do suave, na pele de Nina e nas penas do Cisne Branco, contra a insolência, a sensualidade com Lily e o extravagante Cisne Negro. Evidencia a beleza e a sutileza dos detalhes, dos mínimos detalhes, ao mesmo tempo em que mostra a força e o choque de momentos tensos. E o longa é uma sucessão de momentos belos, tensos, dramáticos e assustadores que mostram, novamente, que Darren usou de forma magistral esses contrapontos.

O diretor também se utiliza, em várias sequências, de câmeras de mão. E são elas as responsáveis pelas cenas mais belas de todo o filme, como por exemplo, as danças nos ensaios de Nina. Porém, a (bela) fotografia do filme não se resume à esses momentos. Não há uma só parte do longa em que a câmera esteja em lugar errado: tudo foi meticulosamente encaixado. As cenas de dança são, de longe, as mais belas – destaque para a cena inicial e a final. A trilha sonora, por sua vez, acompanha os clássicos da música clássica,e, mais uma vez utilizando-se do contraponto, o que poderia ser utilizado para acalmar, deixar a produção mais leve, é usado para criar um ambiente ainda mais tenso e nervoso.

É por essas e outras que “Cisne Negro” não surge como um azarão no Oscar 2011: não duvide da qualidade desse drama com boas pitadas de um suspense psicótico. Ele tem tudo o que um grande filme precisa para vencer a premiação. Também não duvide das chances de Natalie Portman levar o prêmio. Ela já mostrou e evidencia nessa produção que é muito mais do que um rosto bonito nos cinemas: mesmo você, que na entende nada de ballet, vai notar a transformação de Nina durante o filme. Eu garanto.




Sunday, January 30, 2011

Terror, suspense e romance se misturam em "Deixe-me Entrar"

O que você faria por uma grande amizade? Ou, por um grande amor? Estaria disposto a abandonar tudo, a aceitar todo tipo de coisa, a viver uma vida incomum e às escondidas só por causa desse amor? Pode parecer estranho, mas é justamente sobre esses tipos de questionamentos que o longa de terror e suspense “Deixe-me Entrar”, trata. Sob todo o fundo obscuro, macabro e, em certos momentos, assustadores que percorre o filme, no fundo, a história tem tons de romance.

Mas não se deixe enganar: mesmo com essa premissa de apresentar um filme de terror por uma perspectiva mais “romântica”, “Deixe-me Entrar” é um dos melhores filmes do gênero Terror/Suspense lançados nos últimos anos. Créditos para o diretor Matt Reeves (de "Cloverfield - Monstro"), que fez um ótimo trabalho nessa refilmagem do longa "Deixe Ela Entrar", de 2008, do diretor sueco Tomas Alfredson, baseado no livro do também sueco John Ajvide Lindqvist (que assinou o roteiro do filme original), "Let The Right One In" (algo como "deixe o escolhido entrar").



A história gira em torno do casal juvenil Owen e Abby. Owen é um garoto de “12 anos, oito meses e nove dias”, como ele mesmo diz, que é o típico garoto solitário, sem amigos, perseguido pelas outras crianças no colégio. Abby, uma garota de “12 anos, mais ou menos”, muda-se para o apartamento ao lado do de Owen, e os dois iniciam uma amizade. Porém, essa amizade vai se revelar muito mais estranha (e perigosa), do que o garoto esperava.

Quando uma série de pessoas são encontradas mortas na cidade, sem uma gota de sangue no corpo, a polícia local inicia uma busca por uma possível seita satânica. Mas as buscas acabam levando a polícia até Abby, uma garota que foge dos padrões: ela nunca sente frio, mesmo com os pés descalços na neve, tem gostos alimentares diferenciados e não parece gostar (ou saber) de coisas típicas das crianças de sua idade.



É uma história que prende o espectador, com um roteiro bem construído pelo diretor Matt Reeves, uma trilha sonora que ora enche a tela de adrenalina, ora relaxa o público – palmas à Michael Giacchino, o mesmo responsáveis por trilhas de filmes como “Up – Altas Aventuras” e “Star Trek”, e uma fotografia impecável, que ficou por conta de Greig Fraser. Nessa parte técnica, os efeitos visuais são a única coisa que peca por uma certa falta de qualidade. Mas nada que prejudique o filme.

Mas, agora, preste atenção nesse nome: Chloe Moretz. sim, você a conhece e a viu a pouco tempo nos cinemas. A espirituosa Hit Girl, de “Kick Ass – Quebrando Tudo”, volta às telas e interpreta a protagonista, Abby. Não há como negar que Chloe é uma das melhores atrizes juvenis da atualidade em Hollywood: ela esbanja carisma e talento. Ao seu lado, Kodi Smit-McPhee (de “A Estrada”), vive Owen, e também se revela um bom ator.



Ao final das quase duas horas de projeção, o espectador vai ter a certeza de ter conferido um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. Durante todo esse tempo, ele vai construir suas teorias sobre os mistérios que envolvem Abby e sua chegada repentina à cidade. Pode até ser que o filme tenha um final esperado, mas o importante são os acontecimentos que levam até esse momento. Ai, os questionamentos encontrados no primeiro parágrafo do texto podem ser melhor respondidos.




Monday, December 20, 2010

"Tron: O Legado" é tentativa falha de reviver série


Estreou neste final de semana uma das grandes promessas para o fnal do ano nos cinemas. "Tron: O Legado" (Tron Legacy, no original), é a tentativa da Disney em fazer um revival de um clássico dos anos 1980, trazendo-o para a contemporaneidade para fazer dele uma nova (e quem sabe), rentável franquia. Porém, diretor e produtores parecem ter errado a mão. São tantas referências à outros filmes (muito mais clássicos do que "Tron"), que o longa sci-fi da Disney acaba pecando pela falta de originalidade. Se a ideia era criar uma nova saga, a empresa errou.

"Tron: O Legado" me surpreendeu por vários motivos. Gostaria que eles fossem positivos, mas infelizmente, a maioria é negativa. A Disney, muito esperta, resolveu colocar sua nova ficção científica numa das épocas mais rentáveis do ano para o cinema (o Natal), mas isso não evitou o que nenhuma empresa gosta de ver: salas vazias, inclusive no Brasil. Lá na terra do "Tio Sam", o filme acumulou cerca de US$ 43,6 no seu primeiro final de semana - pouco, perto do esperado pela Disney (US$ 70 milhões). Mundialmente, o filme conseguiu US$ 66,6 milhões.

Essas salas vazias talvez sejam explicadas pelo recebimento do longa ao redor do mundo. Críticos "desceram a lenha" na produção, afirmando que muito foi investido em visual, mas o mesmo não pode ser dito do roteiro. E realmente, isso fica explícito no decorrer do longa. Com uma história simples, mas que tem a pretenção de ser complexa, alguns diálogos surjem aparentemente "jogados" nas cenas, em meio à um visual primoroso.

Esse, por sinal, é um dos destaques do longa. Com certeza, é o mais belo atualmente em cartaz, ainda mais bonito do que "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada", uma produção com visual caprichado. "Tron: O Legado" conta, inclusive, com uma versão digital - e jovem - de Jeff Bridges. Os mais desatenciosos, não tenha dúvida, sequer vão perceber que se trata de um rosto criado por computação gráfica (ou seja, totalmente no computador), tamanho a qualidade dos efeitos. Cenários também seguem esse padrão, assim como os figurinos (que são estupendos).


Outro ponto que merece ser lembrado de maneira positiva é a trilha sonora. Com uma mescla do melho do "beat" dos anos 1980, com o que há de mais moderno na música eletrônica, não estranhe se você bater seu pé no ritmo da música na cena da boate, por exemplo. A banda Daft Punk também não decepciona. Assista e você vai entender.

Porém, os lados bons da produção param por ai. Como já dito, "Tron: O Legado" tem um roteiro mal construído e diálogos pobres. Na trama, Sam Flynn (Owen Best), é (só pra variar), um rebelde sem causa que vai se tornar um salvador. Ele busca informações de seu pai, Kevin Flynn (Jeff Bridges), criador do game "Tron", que desapareceu há anos. Seguindo pistas deixadas por ele, Sam acaba "entrando" no mundo paralelo e vitual de "Tron", onde precisa encontrar seu pai e salvar sua própria pele.

Ai entram novos pontos negativos. Essa história de mundo virtual já foi nos apresentado à exaustão. Isso até era novidade no primeiro "Tron", de 1982, mas hoje em dia beira o clichê. Ainda mais depois que a saga "Matrix" tratou desse assunto de maneiro tão profunda. Você ainda vai encontrar referências à "Star Wars" aqui e acolá, como em algumas cenas de naves e outras onde Sam usa uns capuzes onde, cá pra nós, fica parecendo um Jedi.

Agora, se o assunto é a atuação dos atores, nada que valha a pena comentar muito. Até mesmo Jeff Bridges, que venceu o Oscar no ano passado pela sua atuação em "Coração Louco" (Crazy Heart), parece salvar o filme. O mesmo vale para Owen Best, que não chama a atenção em nenhum momento.

Jogando tudo na balança, parece que "Tron: O Legado" foi inteiramente produzido para quem assistiu - e gostou - do seu antecessor, lá em 1982. Não é o meu caso, afinal, nunca vi tal filme. Mas dei uma chance por ser um tão falado revival. Fica a sensação de que faltou algo ao filme - e pelo final, acho difícil a Disney transformar esse filme em franquia.



Monday, December 13, 2010

"Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada" mescla aventura e religião

Assistir à "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada", terceiro filme da série baseada nos livros de C. S. Lewis, foi uma experiência interessante. Eu estava em meio à um grupo de quatro pessoas, e dessas, apenas duas (eu e meu irmão), somos profundos conhecedores do reino narniano (lemos todos os livros e acompanhamos os filmes lançados anteriormente). Uma terceira pessoa nunca leu os livros, mas já assistiu "O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa" e "Príncipe Caspian", precursores deste longa. A quarta pessoa jamais leu os livros ou assistiu os demais filmes. Mas ao final da exibição, todos tinham a mesma opinião: o terceiro longa é bom, e atende todos os públicos.


Do meu ponto de vista, isso é bom. Ao mesmo tempo que "A Viagem do Peregrino da Alvorada", mesmo sendo o terceiro de uma série de filmes, não deixa brechas para dúvidas, mesmo fazendo referência aos filmes anteriores, ele também brinda os fãs mais ardorosos da franquia com detalhes que os demais não vão captar, como a citação de Jill Pole ao final da aventura, deixando claro que os produtores querem, e muito, continuar a saga com "A Cadeira de Prata", que na humilde opinião deste que vos escreve, é o melhor de todos os livros.

Claro, muita coisa remete aos filmes anteriores, como por exemplo, quando Lúcia (Georgie Henley) e Edmundo (Skandar Keynes), ao serem resgatados do mar por Caspian (agora Rei), questionam se ele os havia convocado. E ele responde que não (para quem não sabe, Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, no segundo filme, vão à Nárnia após um chamado de Caspian). São pequenas as referências, que não atrapalham, já que os fãs conhecem a história a fundo, e para os mais leigos, não chegam a atrapalhar.

Claro, a terceira aventura traz muitas novidades. A primeira delas é o primo estressado dos irmão Pevensie, Eustáquio Scrubbs (Will Pouter). Toda a história de "A Viagem do Peregrino da Alvorada" é contada pelo seu ponto de vista, que não é dos melhores, diga-se de passagem. Junto à Lúcia e Edmundo, ele acaba indo à Nárnia para ajudar Caspian a encontrar os sete fidalgos desaparecidos, ao mesmo tempo, livrar o país de um mal muito pior.

E Eustáquio é, de longe, um dos melhores personagens desse filme. Estreando no universo narniano, Pouter, ator mirim que interpreta o rabugento e mimado garoto, dá um show de interpretação e coloca atores já conhecidos na franquia, como Keynes, o Edmundo, no chinelo. O que é extremamente importante, já que num possível próximo filme ("A Cadeira de Prata"), sem os irmãos Pevensie, é Eustáquio, ao lado da jovem Jill, quem deve segurar as pontas. Henley, a Lúcia, por sua vez continua a mesma gracinha de sempre.


De resto, esse terceiro filme segue à risca os anteriores. Efeitos especiais de cair o queixo e uma trilha sonora incrível (para mim, uma das melhores entre os filmes de fantasia). Aslam está mais lindo (e real) do que nunca, assim como Ripchip, o simpático roedor espadachim. Mas se algo mudou, esse algo é o roteiro. Para quem leu os livros de Lewis, sabe que ele é sempre direto. Por isso, os roteiristas acrescentaram elementos no filme, como uma batalha final mais "nervosa". Isso ajuda a enriquecer a trama, uma vez que o livro não tem uma história tão complexa.

Outra coisa que deve ser citada é o enfoque mais humano (e até religioso), que esse filme desenvolve. Logo no início, vemos uma Lúcia já crescida, até mesmo interessada em garotos e em ficar mais bonita. Isso foi abordado, de maneira sutil, por Lewis em "A Última Batalha", sétima das crônicas, mas com Susana. O diretor Michaal Apted também resolveu (quase), dar nome aos bois e deixa quase explícito que Aslam, o Leão, é a representação de Deus, numa das cenas finais.

De um modo geral, "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada", pode ser definido assim: uma mistura entre o primeiro e o segundo filmes da série. Ele mescla elementos mais teológicos, bastante abordados no primeiro longa, com cenas mais violentas de batalha criadas no segundo. A mistura não é ruim, mas, como dito no começo da análise, o resultado final não passa do "bom" (em tempo, ainda acho estranho crianças batalhando e empunhando espadas melhor do que adultos).

Sunday, November 21, 2010

Harry Potter e o início do fim


A cena surgiu na tela do cinema exatamente como eu havia imaginado quando li "Harry Potter e as Relíquias da Morte". Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger capturados e levados à casa dos Malfoy. Harry e Rony são atirados no calabouço, onde encontram a amiga Luna Lovegood, enquanto Hermione, a sangue-ruim, é torturada pela bruxa Belatrix Lestrange, sangue-puro. Eis que, em meio ao terror, Harry recebe a visita de Dobby, o elfo doméstico liberto por ele em uma outra aventura. Com a ajuda de Dobby, Harry e Rony escapam da masmorra e partem para salvar Hermione. Um confronto com os Malfoy é inevitável. Belatrix ameaça cortar a garganta de Hermione se os amigos não entregarem suas varinhas. Novamente, Dobby surge e afasta Belatrix da jovem bruxa, enquanto Harry desarma Draco Malfoy. Fazendo juras de amizade eterna, Dobby aparata, levando Harry, Rony e Hermione com ele. Leva também uma faca de Belatrix, atirada no último momento, e que acaba matando o elfo doméstico livre.

Não vou negar que chorei no cinema ao assistir essa cena. Essa era, para mim, uma das mais aguardadas de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1", que estreou nas telas brasileiras na sexta-feira, dia 19, causando furor entre os fãs da série. E foi justamente para esse público que o diretor do longa, David Yates, conduziu a história. A melhor adaptação para o cinema dos livros de J. K. Rowling até agora, HP7 presenteia o espectador e fã do bruxinho com cenas memoráveis que mostram a dor da perda, a força da amizade e a eterna luta do bem contra o mal, aqui representado pelo sanguinário Lorde Voldemort (Ralph Fienes).

Um dos filmes mais aguardados do ano, HP7 mostra o início das buscas do trio de amigos bruxos em busca das Horcruxes, objetos mágicos espalhados pelo mundo que contem parte da alma de Voldemort. Harry precisa encontrar - e destruir - seis Horcruxes. Só então poderá derrotar o Lord das Trevas, ou Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Em meio à sua busca, porém, Harry precisa despistar os Comensais da Morte, eternos seguidos de Voldemort. Nesta tormenta, ainda, Harry conhece o Conto dos Três Irmãos e a lenda das Relíquias da Morte, que juntas, fazem de um bruxo, invencível.

Ver tudo isso no cinema, para muitas pessoas, pode parecer "só mais um filme" de magia. Porém, quem acompanhou a história de Harry e seus amigos desde o início, quando o garoto tinha apenas 10 anos de idade e o acompanhou por todos esses anos, crescendo junto à ele, tem um gostinho especial ao assistir ao sétimo filme, dividido em duas partes. Em HP7 Harry precisa fazer decisões o tempo todo, precisa extrair de dentro dele tudo aquilo que ele tem de melhor, num momento em que tudo que lhe parece familiar vai desmoronando.

Como disse acima, HP7 é a melhor adaptação dos livros de Rowling para o cinema até agora. Claro que isso já era esperado, desde o momento em que foi anunciado que o último livro da saga seria dividido em duas produções. Todos os momentos marcantes estão lá, desde a fuga da casa dos tios trouxas e a morte da fiel companheira Edwirges, até a briga com o amigo Rony, que abandona a jornada.

Não é sequer preciso dizer da parte técnica do longa, já que tudo é de extremo bom gosto. Efeitos especiais de primeira linha, atuações fantásticas - tanto por parte dos personagens principais quanto dos secundários, uma fotografia de cair o queixo, o que já é característica da série. Tudo isso transforma o longa em uma boa opção, também para quem não é tão fã assim da saga do bruxo.

O primeiro HP7 nos dá uma boa ideia do que aguardar da segunda parte da história, que será lançada no meio do ano que vem. Esse foi apenas o início do fim, e foi mehor do que qualquer fã poderia imaginar.


Wednesday, October 6, 2010

"Tropa de Elite 2": um dos melhores filmes do cinema nacional dos últimos tempos


Não há como negar que Tropa de Elite 2, continuação de um dos filmes mais polêmicos dos últimos tempos no cinema nacional, é um dos longas mais aguardados do ano. Ainda mais depois de comentários do próprio diretor, José Padilha, e do astro-mor do filme, Wagner Moura, afirmando que Tropa de Elite 2 é ainda melhor do que o primeiro. Ai você me pergunta: será que uma continuação pode superar o filme original? É difícil chegar a uma conclusão, já que ambos têm temáticas diferentes. Mas pelo menos na história do Capitão Nascimento e do BOPE, a resposta é sim. A pré-estréia aconteceu nesta terça, em Paulínia (SP), e o filme chega aos cinemas nesta sexta-feira, dia 08.

O segundo filme se passa 10 anos após os acontecimentos do primeiro e mostra um Nascimento (Wagner Moura), ainda mais carrancudo e envolto em seus próprios fantasmas. Depois de uma operação que dá errado do BOPE, no presídio de segurança máxima Bangu I, no Rio de Janeiro, o ex-capitão e agora Coronel, comandante-geral do esquadrão, acaba sendo expulso da corporação. Porém, a polícia prefere mantê-lo por perto, e lhe entrega o cargo de Sub-Secretário de Inteligência.

No seu novo cargo, Nascimento faz o BOPE crescer, tanto em número de membros, quanto em atuação. Novas armas são adquiridas, e o esquadrão tem muito mais força agora, para enfrentar o tráfico. Porém, o ex-coronel não se dá conta de que, ao fortalecer o BOPE, também está ajudando inimigos muito maiores e mais perigosos: a própria polícia carioca e políticos corruptos, todos com uma vontade em comum, que é a de acabar, de vez, com Nascimento.

O roteiro, assinado por Bráulio Mantovani (parceiro do diretor no primeiro longa) e também por Padilha, é, de longe, a melhor parte do filme. Denso, complexo, muito bem construído e cheio de reviravoltas. E, ao que parece, ambos resolveram deixar os bordões de lado (tem um aqui e outro ali, mas nenhum tão forte) e focarem na história. Nada de Pede pra sair, e frases de efeito desse tipo, só um Missão dada é missão cumprida. Tudo está mais denso, o que mostra que esse filme é muito mais maduro e evoluído do que o primeiro. A dupla também utiliza da ficção para levar às telas fatos que acontecem no sistema de segurança, como rebeliões em prisões, grampos telefônicos e CPIs que dão em pizza.

Se o roteiro evoluiu, e muito, em comparação ao primeiro filme, o mesmo pode ser aplicado à fotografia. Por todo o filme, cenas belíssimas e bem construídas fazem o espectador babar, mesmo elas sendo de favelas, que convenhamos, não são um colírio aos olhos. Algumas merecem destaque, como a cena na qual um grupo de crianças joga futebol, despreocupadas, num campinho poeirento e são surpreendidas pelo helicóptero do BOPE (lembra que eles estão bem mais equipados, agora?), ou então um plano geral da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, já no final do filme. São todas imagens simples, mas que acabam tornando-se muito bonitas, devido à ótima fotografia (méritos de Lula Carvalho).

Outro ponto que merece destaque, claro, são as atuações. O ótimo Wagner Moura encarna com muita competência o Coronel Nascimento, agora mais velho e tão nervoso quanto no filme anterior. Incrível como o ator se entrega ao personagem, e é isso que o faz ser tão querido entre os brasileiros. O restante do elenco não fica atrás. Irandhir Santos vive Fraga, um membro dos Direitos Humanos que é eleito Deputado Estadual e luta contra a violência nos morros, enquanto André Ramiro volta ao papel de Mathias, agora capitão do BOPE.

O fato é que Tropa de Elite 2 tem muito mais pontos fortes do que fracos. Entre os negativos, os fãs do primeiro filme podem achar esse filme político demais, sem as grandes perseguições e ataques do primeiro, embora essas cenas estejam bastantes presentes no longa. O que não deixa de ser uma verdade. Porém, foi uma decisão para deixar o filme muito mais maduro, e ao que parece, José Padilha acertou no rumo que deu à sua produção.

Tropa de Elite 2 é um dos melhores filmes brasileiros à chegar aos cinemas nos últimos anos. Se vai repetir o sucesso do primeiro, se vai arrebentar na bilheteria, se vai angariar ainda mais fãs para o já adorado Nascimento (aplaudido pela platéia da pré-estréia em um certo momento, ao surrar a cara de um político), não dá para saber. Mas a verdade é que, se tudo isso acontecer, não será por sorte, e sim, por merecimento.