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Saturday, March 5, 2011

"Precisamos Falar Sobre o Kevin": Uma verdadeira obra-prima literária

Ainda estou em estado de choque. Terminei de ler "Precisamos falar sobre o Kevin", e vim direto para o computador. Não dava para segurar tudo o que eu senti só para mim, tanto, que vim aqui compartilhar minhas opiniões sobre esse livro. Ele não é apenas um dos melhores livros que eu já li na minha vida, como também já é um dos meus favoritos e, com certeza, vou recomendá-lo à todos que me pedirem boas dicas de leitura.

A autora, Lionel Shriver, tem, nessa obra, de nos deixar tão próximos de Eva Khatchadourian, sua protagonista ficcional (mas que poderia muito vem ter vivido de verdade, em carne e osso), que é simplesmente impossível ler os dois últimos capítulos dessa obra sem sentir um nó na garganta, ou ter os olhos marejados e se emocionar com cada linha escrita. Muito bem escrita, por sinal.

Para nos contar a dramática história de Eva, e seu filho mais do que problemático Kevin, Lionel usa com excelência as palavras. Além de ser um dos melhores livros que eu já li, esse também é um dos mais bem escritos com os quais eu já tive o prazer de me deparar. A leitura flui com facilidade, e embora possa ser cansativa em alguns momentos, você vai sentir a vontade de devorar esse livro de uma vez.

Como dito, Kevin é problemático. Mais do que isso, ele é um assassino. Em um acidente em sua escola, ele matou a sangue frio alunos e uma professora. Porém, as revelações sobre esse caso, que são feitas por Eva, por meio de cartas escritas ao marido, Franklin, mostram que o crime foi muito mais monstruoso e dramático do que parece.

Muito mais do que falar sobre o assassinato, Lionel nos mostra, através de Eva, como um filho pode transformar - para pior, a vida de uma mãe. Não estou nem me dirigindo aos assassinatos, e sim, à gravidez em si: algo que Eva nunca quis, mas que se submeteu para agradar ao marido. As consequências são uma vida destruída, cheias de desconfianças sobre um garoto que se mostrou "anormal" desde o início.

Com certeza, tem muita coisa sobre o livro que eu ainda gostaria de escrever. Mas, agora, não consigo pensar em muita coisa, a não ser que esse é, com certeza, um ótimo livro, que deve ser lido por qualquer pessoa, principalmente, por aqueles que prezam por uma verdadeira obra-prima literária.

Tuesday, January 25, 2011

"A Hospedeira" prende o leitor com mistura de romance e ficção-científica

A Terra foi invadida por seres silenciosos. As "Almas", raça de parasitas prateados que dominam planetas por todo o universo, são inseridas nos corpos humanos, que perdem completamente sua consciência e ficam totalmente à mercê da dominação alienígena. Hospedeiro. É nisso que um corpo humano se transforma ao ser dominado por uma alma. Um corpo sem vontade própria, que só obedece ao seu novo e pequenino mestre. A jovem Melanie Stryder é um dos poucos humanos que ainda caminham pela face da Terra, ao lado do irmão Jamie.

Mas a vida de Melanie muda bruscamente quando ela é capturada pelos Buscadores. Ela é levada até o Curandeiro Forbs Água Profunda e recebe uma nova mente: Peregrina, uma alma viajante e poderosa. Porém, o que Peregrina não esperava era a relutância de Melanie em deixar seu corpo. Uma luta interna é travada. Peregrina quer dominá-la, porém, Melanie não quer desaparecer. É nessa premissa que Stephenie Meyer, a mesma autora da série "Crepúsculo", nos apresenta "A Hospedeira" (The Host). Um livro mais adulto do que a saga dos vampiros, que mistura romance e ficção-científica num caldeirão efervescente.


Porém, pode tirar seu cavalinho da chuva se você acha que o livro vai mostrar um mundo pós-apocalíptico, com guerras e batalhas entre humanos e as almas, com seus hospedeiros. Nada disso. "A Hospedeira" é uma reflexão sobre a vida humana, sobre sentimentos. A relação que se estabelece entre Melanie e Peregrina é algo que vai fazer a alma pensar sobre o que é o certo: lutar por aquilo que é certo para a sua espécie ou enfrentar desafios maiores em busca do amor verdadeiro - que ela não sabe bem se é dela unicamente ou da mente humana, ambos no mesmo corpo.

Não é exagero afirmar que o livro pode ser enfrentado como uma mistura muito bem produzida entre "Crepúsculo" e o filme-arrasa-quarteirões "Avatar", de James Cameron. Do mesmo modo que Jake Sully, Peregrina se volta contra os da sua própria espécie para salvar um grupo de humanos. Ela acaba se apaixonando por Jared, o mesmo homem que Melanie ama. Então, estabelece-se um triângulo amoroso, mas com apenas três corpos - como a própria autora define o livro na quarta capa.

Porém, se o amor é tratado de maneira irritante e quase sem explicação em "Crepúsculo" e suas continuações, em "A Hospedeira" ele é mostrado de maneira muito mais adulta. Ele surge aos poucos, com a convivência de seres tão diferentes. Sim, por que Peregrina encontra, com a ajuda de Melanie, um reduto humano, onde mais de 30 pessoas resistem à invasão das almas. Ela é "aceita" no grupo, e todos - humanos e alma, têm de aprender a conviver com as diferenças.

A história desenrola-se, quase que inteiramente, dentro das cavernas na qual os humanos tentam sobreviver. Por isso, os sentimentos humanos como raiva, amor, desconfiança, ódio e amizade são mostrados em sua mais pura essência. O personagens, cada um deles, têm seu charme. Peregrina não consegue definir o que é certo ou errado e sua dúvida a acompanha por boa parte da leitura. Melanie é uma voz que acaba tornando-se uma guia à alma. Jeb é o tio curioso e protetor, que quer conhecer as histórias da alienígena. Jared, é a paixão e o desejo em pessoa. Jamie, o amigo - e irmão, de todas as horas. Ian vai ter a vida mudada e descobrir o significado - verdadeiro, do que é ser um "humano".

Porém, nada é um mar de rosas. A edição brasileira de "A Hospedeira", publicada pela Intrinseca, deixa um pouco à desejar. Não pela apresentação do livro ou pela qualidade do papel, ambas ótimas. O fato é que, ao ler o livro, não é necessário muita atenção para encontrar erros grosseiros de português ou letras trocadas. O que faltou foi uma revisão mais atenta por parte da editora. Quem sabe numa próxima edição. Não é um fato que atrapalhe a leitura, mas é algo que deixa o livro com cara de "preparado em cima da hora".


Para finalizar, "A Hospedeira" é um livro que vale a pena ser lido. As cenas de romance não são tediosas e chatas como as encontradas em "Crepúsculo", por exemplo. Embora seja uma história de amor, a publicação leva ao leitor muito mais do que isso. Leva um mix de emoções e sentimentos. Peregrina viajou por vários planetas para chegar à Terra e mostrar o que é, de verdade, ser um humano.

PS. Os direitos de "A Hospedeira" foram adquiridos por um trio de produtores, que anunciaram o nome de Andrew Niccol (Gattaca) como diretor. De acordo com o site da revista Variety, Nick Wechsler, Steve e Paula Mae Schwartz estavam à procura de uma história de ficção científica para produzir, e acabaram comprando os direitos de A Hospedeira com dinheiro próprio. Por isso o filme será independente. O filme deve estrear em Setembro deste ano.

Monday, January 17, 2011

Os Livros que eu nunca vou ler #02

Recentemente, fiz um post do qual eu gostei muito falando sobre alguns livros que, de tão toscos, bregas, horrendos ou qualquer outro adjetivo pejorativo, eu jamais leria. Pois bem, foi um desabafo que deu uma certa repercussão, e me fez voltar ao assunto, depois que eu vi essa manchete fantástica no caderno Ilustrada, da Folha.com, nesta semana:


Pois é, esse simples texto de 54 caracteres mostra muita coisa: 1) Que a música têm passado por uma fase negra aqui no Brasil, devido à esses Restart, Cine, Replace, Hori e demais bandas coloridas; 2) Que além de um péssimo gosto musical, os fãs desses lixos também têm um péssimo gosto para a leitura; 3) Que o mercado editorial está desesperado e aceita qualquer obra em seu catálogo; 4) E que eu estou c*gando e andando pra esse povo.

Se o problema parasse por ai, tudo bem, eu até fingia demência sobre o assunto. Mas não. Como diz sabiamente o ditado popular, "desgraça pouca é bobagem". Basta uma simples pesquisada na internet para achar ainda mais atrocidades literárias. Essa aqui, por exemplo: "O Diário de Fiuk". Sério, eu senti arrepios na espinha quando vi que isso foi publicado.

Sábio visitante que está lendo esse singelo post, me diga, sinceramente: o que um cara que pensa que é cantor, que acha que é ator, que tem a ilusão de ser galã de televisão (tudo isso sendo fortalecido pela Rede Globo, que quer nos jogar esse sapo pela goela abaixo), que só apareceu na mídia porque é filho de uma pessoa famosa (no caso, o cantor, de verdade, Fábio Júnior), tem de tão importante, estarrecedor e bombástico para nos contar? E o pior, foi o próprio Fiuk, o mais "fodão" da atualidade na TV, quem escreveu o livro, em forma de diário. O que esse tipo de publicação pode trazer de bom à alguém? Será que ele tem um capítulo falando como é viver sendo uma pseudo-celebridade que só aparece nos sites de gente famosa porque é filho de um deles? Duvido.

Ah, e não se iluda se você acha que esse "problema" é exclusivo dos brasileiros. Lá na terra do Tio Sam, na terra dos dólares, na idolatrada Estados Unidos da América, existem os "Fiuks" e "Restarts" dos americanos. Sim, ele mesmo, o cara que quer ser o novo Michael Jackson, que passa glitter nos lábios, que deve alisar até os pentelhos, o cara do cabelo lambido, o Justin Bieber. O guri já tem, nada mais, nada menos, do que duas biografias lançadas (!?), sendo apenas uma oficial.

"Justin Bieber, uma Biografia não Autorizada", do jornalista britânico Chas Newkey-Burden, tem 224 páginas e conta a curta trajetória (ainda bem que ele assume), do menino até o estrelato, além do surgimento de suas primeiras espinhas, da primeira punheta e a primeira chapinha. Sim só pode ser isso que o livro mostra porque que história um moleque de 16 anos tem para contar? Fala a verdade: não é um Fiuk menor de idade? A única diferença é que o pai do "Justeen" não é famoso e nunca pegou a Glória Pires.

Bom já vou ficando por aqui com o segundo "Os Livros que eu nunca vou ler"... Senão, daqui a pouco, vão estar me xingando muito no Twitter pela puta falta de sacanagem que eu estou fazendo. Depois de Geisy Arruda, ex-BBB's, artistas de qualidade duvidosa na música e filhos de celebridades, quem mais vai estampar capas de livros por esse mundo afora? Sério, eu tenho até medo de esperar para ver.

Tuesday, January 11, 2011

Os Livros que eu nunca vou ler

Quem me conhece sabe que eu tenho vários hobbys, um mais nerd do que o outro: assistir à um bom filme no cinema, passar horas jogando videogame ou lendo. E eu leio de tudo, desde gibis da Turma da Mônica até quadrinhos orientais (mangás), passando ai por bula de remédio e rótulo de shampoo. Já li grandes clássicos, já li autores quase desconhecidos. Já li romances de ficção, policiais e fantásticos. Já li livros reportagens e biografias. Ou seja, entre todos os meus hobbys, a leitura é com certeza um dos mais presentes.

Mas não é só porque eu leio de tudo que sou obrigado a engolir algumas coisas que eu vejo à venda nas lojas físicas ou virtuais. A cada dia, vejo mais e mais títulos tão absurdos que me fazem pensar quem, em sã consciência, compraria uma obra dessas (a não ser, claro, para dar de presente num possível "Amigo da Onça"). Pesquisando na internet, não é difícil encontrar esses livros que não saem da primeira edição.
"Geisy Arruda: Vestida para Causar", do jornalista Fabiano Rampazzo, é só um exemplo. Saca só a sinopse: "Geisy Arruda foi manchete dos principais jornais do Brasil quando, após aparecer com um vestido provocante e ter sido ofendida por alunos da faculdade em que cursava Turismo, foi expulsa da instituição. Neste livro, ela, que agora aparece nos programas de TV e aproveita seus 15 minutos de fama, conta como tudo aconteceu."

Quantos erros você encontrou só nesse trechinho? Eu? Vários. Vamos à eles. 1) É um livro sobre uma menina que foi expulsa de uma faculdade. Quantas vezes isso não acontece por esse Brasilzão sem porteira? 2) É um livro sobre uma pseudo-celebridade de apenas 15 minutos de fama... Ok, o que uma pessoa desse nível pode ter de interessante à contar? 3) No livro, ela conta como tudo aconteceu. Ah, fala sério: quantas entrevistas com essa mesma pauta ela deu, desde o acontecido? Vou parar por aqui com minhas considerações, para o meu próprio bem (e o seu também leitor). Mas ai vai uma perguntinha ao autor e à Geisy: você fala ai no seu livro que, muitas vezes, transava com taxistas em troca de uma viagem? Dúvido!

Olha ai o nível da pessoa que o Brasil transforma em celebridade!

Ah sim, e se o assunto é pseudo-celebridades, quem é a campeã em criá-los? Sim, a Vênus Platinada do Sr. Roberto Marinho, a Rede Globo e seu "Big Brother Brasil", odiado por poucos e adorado por milhões. Esse é o lar de gente que fica famosa com a mesma facilidade que desaparece da mídia: em semanas. Antes, uma brincadeira: você consegue se lembrar do nome de TODOS os ex-BBB's?? Aposto que não! E o que eles fazem para volta à tona, à mídia, a ser amado pelo povo novamente? Um prêmio se você adivinhar... Bingo, lançam livros auto-biográficos! Exemplos são muitos, então prepare-se: o que você vão ler em seguida pode provocar ânsias de vômito, mal-estar ou diarreia.


Ainda Lembro”, de Jean Wyllys. 112 páginas por apenas R$ 6,90 (o que ainda é caro). Sinopse? Esta: Vencedor do "Big Brother Brasil" em 2005, o professor universitário Jean Wyllys conta qual foi o impacto da fama no seu cotidiano. Ele assumiu sua homossexualidade durante o reality show. Sobre a família, ele diz que o pai "tinha problemas com o álcool" e morreu de câncer na base da língua. A segunda parte do livro de Jean traz crônicas e contos antigos.






"Diário Secreto de uma Ex-BBB: A História é Minha, Conto Para Quem Eu Quiser" (ou seja, um grupo bem seleto), da “escritora” Fani Pacheco. No livro são tratados assuntos dramáticos (tadinha) da vida de Fani Pacheco, como a separação dos pais e a doença da mãe. Ela conta como fazia para cuidar da avó, muito idosa, e da mãe, que sofria de esquizofrenia. Ela ainda conta experiências sexuais e fantasias que povoaram sua cabeça. Há um capítulo dedicado ao Big Brother e a relação que estabeleceu com Alemão e Iris. Além de outras curiosidades.





Ah, calma que o pior ainda está por vir:

Bastidores de uma Panela de Pressão”, de Vanessa Cristina Soares Dias. Todos se lembram (todos? Têm certeza?) do dia em que Tina se rebelou dentro de um reality show e parou o país. Ela gritou, chorou e ba
teu panela, não engolindo calada uma competição desigual. Mas aquilo foi apenas o que as câmeras mostraram. Neste livro, a ex-BBB conta tudo sobre a sua experiência na "casa mais vigiada do Brasil" - desde a sua seleção até os bastidores das grandes confusões que arranjou. Ou seja, um clássico imperdível!





Agora, fala sério? Você leitor, que é uma pessoa inteligente e de bom gosto, seria capaz de ler livros desse tipo? Ok, ok, eu respeito o mercado editorial, sei que ele precisa sobreviver e sei que há público para tudo, até mesmo para livros de biografias de pseudo-celebridades. Mas, ao invés de ler essas drogas literárias, não seria melhor um Machado de Assis? Deixo a dúvida no ar, e também os links de cada livro. Vai que te dá uma curiosidade louca de dar uma "espiadinha" nessas obras!

Monday, December 13, 2010

"Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada" mescla aventura e religião

Assistir à "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada", terceiro filme da série baseada nos livros de C. S. Lewis, foi uma experiência interessante. Eu estava em meio à um grupo de quatro pessoas, e dessas, apenas duas (eu e meu irmão), somos profundos conhecedores do reino narniano (lemos todos os livros e acompanhamos os filmes lançados anteriormente). Uma terceira pessoa nunca leu os livros, mas já assistiu "O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa" e "Príncipe Caspian", precursores deste longa. A quarta pessoa jamais leu os livros ou assistiu os demais filmes. Mas ao final da exibição, todos tinham a mesma opinião: o terceiro longa é bom, e atende todos os públicos.


Do meu ponto de vista, isso é bom. Ao mesmo tempo que "A Viagem do Peregrino da Alvorada", mesmo sendo o terceiro de uma série de filmes, não deixa brechas para dúvidas, mesmo fazendo referência aos filmes anteriores, ele também brinda os fãs mais ardorosos da franquia com detalhes que os demais não vão captar, como a citação de Jill Pole ao final da aventura, deixando claro que os produtores querem, e muito, continuar a saga com "A Cadeira de Prata", que na humilde opinião deste que vos escreve, é o melhor de todos os livros.

Claro, muita coisa remete aos filmes anteriores, como por exemplo, quando Lúcia (Georgie Henley) e Edmundo (Skandar Keynes), ao serem resgatados do mar por Caspian (agora Rei), questionam se ele os havia convocado. E ele responde que não (para quem não sabe, Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, no segundo filme, vão à Nárnia após um chamado de Caspian). São pequenas as referências, que não atrapalham, já que os fãs conhecem a história a fundo, e para os mais leigos, não chegam a atrapalhar.

Claro, a terceira aventura traz muitas novidades. A primeira delas é o primo estressado dos irmão Pevensie, Eustáquio Scrubbs (Will Pouter). Toda a história de "A Viagem do Peregrino da Alvorada" é contada pelo seu ponto de vista, que não é dos melhores, diga-se de passagem. Junto à Lúcia e Edmundo, ele acaba indo à Nárnia para ajudar Caspian a encontrar os sete fidalgos desaparecidos, ao mesmo tempo, livrar o país de um mal muito pior.

E Eustáquio é, de longe, um dos melhores personagens desse filme. Estreando no universo narniano, Pouter, ator mirim que interpreta o rabugento e mimado garoto, dá um show de interpretação e coloca atores já conhecidos na franquia, como Keynes, o Edmundo, no chinelo. O que é extremamente importante, já que num possível próximo filme ("A Cadeira de Prata"), sem os irmãos Pevensie, é Eustáquio, ao lado da jovem Jill, quem deve segurar as pontas. Henley, a Lúcia, por sua vez continua a mesma gracinha de sempre.


De resto, esse terceiro filme segue à risca os anteriores. Efeitos especiais de cair o queixo e uma trilha sonora incrível (para mim, uma das melhores entre os filmes de fantasia). Aslam está mais lindo (e real) do que nunca, assim como Ripchip, o simpático roedor espadachim. Mas se algo mudou, esse algo é o roteiro. Para quem leu os livros de Lewis, sabe que ele é sempre direto. Por isso, os roteiristas acrescentaram elementos no filme, como uma batalha final mais "nervosa". Isso ajuda a enriquecer a trama, uma vez que o livro não tem uma história tão complexa.

Outra coisa que deve ser citada é o enfoque mais humano (e até religioso), que esse filme desenvolve. Logo no início, vemos uma Lúcia já crescida, até mesmo interessada em garotos e em ficar mais bonita. Isso foi abordado, de maneira sutil, por Lewis em "A Última Batalha", sétima das crônicas, mas com Susana. O diretor Michaal Apted também resolveu (quase), dar nome aos bois e deixa quase explícito que Aslam, o Leão, é a representação de Deus, numa das cenas finais.

De um modo geral, "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada", pode ser definido assim: uma mistura entre o primeiro e o segundo filmes da série. Ele mescla elementos mais teológicos, bastante abordados no primeiro longa, com cenas mais violentas de batalha criadas no segundo. A mistura não é ruim, mas, como dito no começo da análise, o resultado final não passa do "bom" (em tempo, ainda acho estranho crianças batalhando e empunhando espadas melhor do que adultos).

Sunday, November 21, 2010

Harry Potter e o início do fim


A cena surgiu na tela do cinema exatamente como eu havia imaginado quando li "Harry Potter e as Relíquias da Morte". Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger capturados e levados à casa dos Malfoy. Harry e Rony são atirados no calabouço, onde encontram a amiga Luna Lovegood, enquanto Hermione, a sangue-ruim, é torturada pela bruxa Belatrix Lestrange, sangue-puro. Eis que, em meio ao terror, Harry recebe a visita de Dobby, o elfo doméstico liberto por ele em uma outra aventura. Com a ajuda de Dobby, Harry e Rony escapam da masmorra e partem para salvar Hermione. Um confronto com os Malfoy é inevitável. Belatrix ameaça cortar a garganta de Hermione se os amigos não entregarem suas varinhas. Novamente, Dobby surge e afasta Belatrix da jovem bruxa, enquanto Harry desarma Draco Malfoy. Fazendo juras de amizade eterna, Dobby aparata, levando Harry, Rony e Hermione com ele. Leva também uma faca de Belatrix, atirada no último momento, e que acaba matando o elfo doméstico livre.

Não vou negar que chorei no cinema ao assistir essa cena. Essa era, para mim, uma das mais aguardadas de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1", que estreou nas telas brasileiras na sexta-feira, dia 19, causando furor entre os fãs da série. E foi justamente para esse público que o diretor do longa, David Yates, conduziu a história. A melhor adaptação para o cinema dos livros de J. K. Rowling até agora, HP7 presenteia o espectador e fã do bruxinho com cenas memoráveis que mostram a dor da perda, a força da amizade e a eterna luta do bem contra o mal, aqui representado pelo sanguinário Lorde Voldemort (Ralph Fienes).

Um dos filmes mais aguardados do ano, HP7 mostra o início das buscas do trio de amigos bruxos em busca das Horcruxes, objetos mágicos espalhados pelo mundo que contem parte da alma de Voldemort. Harry precisa encontrar - e destruir - seis Horcruxes. Só então poderá derrotar o Lord das Trevas, ou Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Em meio à sua busca, porém, Harry precisa despistar os Comensais da Morte, eternos seguidos de Voldemort. Nesta tormenta, ainda, Harry conhece o Conto dos Três Irmãos e a lenda das Relíquias da Morte, que juntas, fazem de um bruxo, invencível.

Ver tudo isso no cinema, para muitas pessoas, pode parecer "só mais um filme" de magia. Porém, quem acompanhou a história de Harry e seus amigos desde o início, quando o garoto tinha apenas 10 anos de idade e o acompanhou por todos esses anos, crescendo junto à ele, tem um gostinho especial ao assistir ao sétimo filme, dividido em duas partes. Em HP7 Harry precisa fazer decisões o tempo todo, precisa extrair de dentro dele tudo aquilo que ele tem de melhor, num momento em que tudo que lhe parece familiar vai desmoronando.

Como disse acima, HP7 é a melhor adaptação dos livros de Rowling para o cinema até agora. Claro que isso já era esperado, desde o momento em que foi anunciado que o último livro da saga seria dividido em duas produções. Todos os momentos marcantes estão lá, desde a fuga da casa dos tios trouxas e a morte da fiel companheira Edwirges, até a briga com o amigo Rony, que abandona a jornada.

Não é sequer preciso dizer da parte técnica do longa, já que tudo é de extremo bom gosto. Efeitos especiais de primeira linha, atuações fantásticas - tanto por parte dos personagens principais quanto dos secundários, uma fotografia de cair o queixo, o que já é característica da série. Tudo isso transforma o longa em uma boa opção, também para quem não é tão fã assim da saga do bruxo.

O primeiro HP7 nos dá uma boa ideia do que aguardar da segunda parte da história, que será lançada no meio do ano que vem. Esse foi apenas o início do fim, e foi mehor do que qualquer fã poderia imaginar.


Wednesday, August 4, 2010

IPad ou 100 livros?


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Monday, July 5, 2010

Retratos da demência humana


Alguns japoneses viram apenas um imenso clarão vindo do céu, após o alarme anti-aéreo parar de soar por toda a cidade de Hiroshima. Outros sequer viram algo nos céus: apenas sentiram seus corpos saírem do chão e serem arremessado à dezenas de metros de onde estavam devido ao impacto da bomba. Porém, todos os que sobreviveram ao dia 06 de Agosto de 1945, data em que o governo americano lançou sobre a cidade japonesa sua arma mais poderosa até então criada – a Bomba Atômica, tiveram de conviver com a perda de familiares e seus lares. Ainda mais. Tiveram de aprender a coexistir com pessoas deformadas, queimadas e mutiladas.

"Hiroshima", um dos marcos do novo jornalismo - embora esse termo não seja muito adequado, é uma das reportagens mais importantes do Século XX. Como o nome da publicação já deixa meio claro, o livro fala sobre o ataque americano à Hiroshima, durante a Segunda Guerra Mundial, sobre a bomba atômica que matou mais de 100 mil pessoas diretamente e outras centenas indiretamente, devido à radiontoxicação deixada pela bomba e seus efeitos sobre os sobreviventes japoneses- ou "hibakushas", como preferem ser chamados.

John Hersey, o autor, não utiliza tantos elementos literários em seu texto, mas ele descreve as cenas e as crueldades causadas pela bomba de maneira tão clara que é como se o leitor caminhasse pelos escombros deixados pela explosão. Coisa que nem mesmo ele fez. Ele viajou à Hiroshima um ano depois do ataque, para realizar uma reportagem especial para a revista The New Yorker. Entrevistou seis sobreviventes, e mostrou os efeitos do ataque a partir do ponto de vista deles: donas de casa, médicos, pastores, padres... Nada de números, coisa que jornalista adora. Hersey busca cativar, emocionar o leitor, coisa que os números não são capazes de fazer.

Ele retorna à Hiroshima 40 anos depois de fazer a reportagem - publicada em uma edição especial da revista que vendeu mais de 30 mil unidades, para finalizar sua matéria. Reencontra alguns hibakushas e depara-se com uma nova Hiroshima, mais tecnológica e forte economicamente. O livro é perfeito para que o homem perceba o que a sua demência é capaz de criar, realizar e destruir. Ele nos leva ao momento exato em que a bomba atinge seu alvo e mostra como os habitantes de Hiroshima lidaram com a explosão, com a perda de familiares, de seus lares, suas vidas. Essencial para quem quiser entender o horror que uma guerra pode causar.

5/5

Wednesday, June 30, 2010

O Herdeiro do Livro Alfa #01


A criança corria pela floresta, tropeçando em raízes salientes e desviando-se dos imensos troncos das árvores. Ofegante e assustada, olhava para trás afim de visualizar seu perseguidor. Ele não estava longe. O garoto não sabia o porquê, mas aquele homem que o perseguia queria matá-lo. Na sua desesperada fuga, não conseguia identificar muito bem quem era seu algoz, apenas que era um homem forte, que vestia uma túnica suja e gasta pelo tempo. Usava também um sobretudo negro, e na mão direita, empunhava uma imponente espada de ferro. O garoto não sabia como ele podia correr tanto, se carregava uma arma tão pesada. E o mesmo sequer parecia cansado, muito pelo contrário: se desviava facilmente de arbustos espinhentos e até das raízes e troncos que tanto dificultavam a sua fuga. A criança não tinha dúvidas que se tratava de um caçador. E um dos bons.

O corpo do garoto trabalha à mil. Seu cérebro enviava ao corpo já cansado estímulos o suficiente para que, mesmo desgastado, o garoto continuasse sua fuga. "Se ele te pegar, por alguma razão, ele vai te matar", pensava consigo mesmo. Cada vez mais perto, o caçador parecia se divertir com o sofrimento da criança. Era apenas uma questão de segundos para que ele finalmente colocasse as mãos no que queria. Ao pensar desse modo, o homem sorriu, exibindo uma fileira irregular de dentes amarelos. O sorriso foi notado pela criança e aquilo serviu para que o medo se alastrasse ainda mais por cada canto do seu pequeno corpo.

Talvez tenha sido o desespero que tenha feito a desatenção se abater sobre o garoto. Ao desviar-se, num salto, de um grande tronco caído em meio à tantas árvores centenárias, ele não percebeu o galho fino, porém firme, que pairava logo acima do tronco caído. No salto, sua testa foi de encontro com o galho, atingindo-lhe em cheio. O golpe fez com que ele perdesse o equilíbrio e caísse de costas no chão molhado e cheio de folhas mortas da floresta. A dor logo se espalhou pelos seus membros, indo da cabeça até suas pernas, e juntando-se ao cansaço, impediu que o garoto se levantasse e recomeçasse sua fuga. Entretanto, não haveria tempo para tanto. Em poucos segundos, seu algoz surgiu no seu campo de visão, agora embaçado devido à pancada que recebera. Mas mesmo assim podia ver seu olhar vitorioso, seus dentes tortos e sua pele suja.

- Finalmente te peguei, moleque! - esbravejou o caçador, e a saliva que ele cuspiu junto às palavras molharam a testa machucada da criança. - Por acaso pensou mesmo que poderia fugir de mim? Olhe para você...

Os olhos do caçador percorreram o corpo trêmulo do garoto. Rugas surgiram ao redor dos olhos do homem quando este sorriu ao perceber que o que a criança sentia ultrapassava o medo: era terror. O corpo pequeno e magro do garoto não conseguia obedecer às ordens de seu cérebro, que, aflito, implorava para que ele voltasse à correr e salvar sua vida. Mas ele não conseguia. Iria morrer ali mesmo.

- ... Está se tremendo todo. Não se preocupe, vou te matar de forma rápida... Você quase não vai sentir dor alguma. Eu disse quase! - E riu, mostrando novamente aqueles dentes mal-cuidados.

Então o sangue escorreu pela sua testa. Não da criança, e sim do seu perseguidor. O líquido vermelho respingou no garoto que, mesmo caído no chão e cheio de dores, gritou. Gritou mais alto e forte do que nunca. De susto. De desespero. O caçador, por sua vez, demorou para perceber e entender o que havia acontecido. Olhou para a própria testa e viu que uma imensa flecha negra a havia perfurado. O sangue, que agora já manchava toda a sua face, vinha do buraco que a arma havia feito em seu crânio. O garoto, com os olhos escancarados de pavor e curiosidade, procurou pela origem do tiro, mas não avistou nada.

O homem não teve tempo de reagir. Seus olhos giraram nas órbitas, ele perdeu suas forças e foi ao chão, sem vida, fazendo seu pesado corpo cair sobre o garoto. Este, por sua vez, lutando contra as suas dores e, ao mesmo tempo, contra o fardo moribundo que lhe pressionava o peito, tentou se livrar de todo aquele peso. Usou toda a sua força restante para jogar o cadáver para o lado, aliviando assim seu mal-estar.

O garoto respirou fundo e, usando todas as energias que ainda lhe restavam, colocou-se de pé. Foi só então que ele se observou, lentamente. Seus braços e pernas estavam totalmente arranhados, possivelmente devido à esbarrões contra arbustos espinhosos dentro da floresta, e uma fina camada de sangue seco cobria alguns desses arranhões. Sua testa estava dolorida, e com a palma da mão, ele percebeu que um galo volumoso havia se formado no local da pancada com o galho. Ele olhou para o corpo do seu algoz, sem vida. Foi então que o desespero percorreu novamente seu corpo. Quem o havia alvejado com a flecha? Ele estaria em perigo?

O garoto foi tirado do seu transe por um barulho de passos, vindos das folhas secas próximo do local onde ele estava. Ele virou-se rapidamente em direção ao som, e todas as suas respostas, de repente, foram respondidas. Ali, diante dele, um homem imenso postava-se de pé, com o arco em riste e apontando uma flecha, exatamente como a anterior, para a sua testa machucada. Vestida o que, um dia, havia sido uma bela armadura. Agora, apenas algumas peças cobriam-lhe o corpo musculoso. Trazia preso ao cinto uma imensa espada de ferro e às costas, um aljava cheio de flechas.

O pior de tudo é o garoto conhecia aquele homem, que não parecia nem um pouco feliz em reencontra-lo. Sua face era séria, e a imensa cicatriz que lhe cortava todo o lado direito do rosto, do alto da testa até o queixo, dava-lhe uma expressão ainda mais severa – e selvagem.

- Hiel... – sussurrou o garoto, e todo o terror que ele sentiu antes, durante a fuga contra o caçador, agora, não significava mais nada. Seu corpo tremia. Suava como se o sol estivesse à pino, e ele, em meio à um deserto. Mas era noite.

- Olá Ravel – respondeu o homem, e sua voz era gutural. Ele deixou escapar um risinho pelo canto da boca, entortando o formato de sua imensa cicatriz. – Estive procurando você por toda a parte...

Mesmo suando, um frio imenso percorreu a espinha do garoto. Ele apalpou uma pequena bolsa de peles que carregava consigo, à procura do livro. Ele estava lá dentro, e parecia intacto. Trouxe a bolsa à frente e apertou-a com toda asua força contra o peito machucado. Era um ato instintivo de proteção, que foi captado por Hiel. Ainda apontando a flecha à Ravel, o guerreiro riu, e sua risada malévola ecoou por toda a floresta.
Fim #01

Tuesday, March 23, 2010

"O Iluminado": livro e filme perturbadores

Danny Torrance não é um garoto normal. Longe disso. Ele pode ouvir pensamentos de qualquer pessoa e tem uma percepção extra-sensorial de tudo o que está à sua volta. Ele é um "iluminado". Pode ter longas conversas com outras pessoas como ele sem nem mesmo abrir a boca. E agora, ele está de mudança para o imponente Hotel Overlook, onde vai passar todo o inverno. Mas não pense que esse é algum tipo de viagem de férias. Seu pai, Jack Torrance, foi contratado para ser o zelador do local que, durante esses meses, fica fechado ao público e totalmente inacessível, devido às tempestades de neve. Apenas Danny, Jack e sua mãe, Wendy, serão os hospedes desse hotel que já foi palco de escândalos e assassinatos.
É com essa premissa que o pai do horror moderno, Stephen King, dá início à sua terceira obra literária, lançada em 1977. Quando King lançou "O Iluminado", já era um escritor reconhecido. Suas duas obras anteriores, "Carrie - A Estranha" (1974) e "A Hora do Vampiro" (1975), haviam conquistado crítica e público, fazendo com que King começasse a trilhar o caminho dos grandes autores. Também, pudera: King sempre segue uma linha narrativa perturbadora, que faz com que o leitor não queira largar o livro até chegar ao seu desfecho.

Capa do livro, lançado no Brasil pela Editora Objetiva

Outra característica dos livros de King é a profundidade de seus personagens. Com as descrições que o autor faz, é quase possível sentir, em nós mesmos, as angústias, as alegrias e os tormentos vividos por eles em suas histórias. É assim com Jack, ex-alcoólatra que precisa provar para a família que a bebida já não lhe é mais necessária, com Danny e sua paixão fora do comum pelo pai e com Wendy, que, no fundo, morre de ciúmes da relação tão próxima entre Jack e Danny. Isso só para citar os três personagens principais. Ao descobrir cada personagem, o leitor se irrita com o Sr. Ullman, gerente do Overlook e se diverte com Dick Hallorran, cozinheiro do hotel.

E todo esse universo macabro existente nos corredores no Overlook foi levado aos cinemas três anos após o lançamento do livro, em 1980, pelas mãos do experiente e elogiado Stanley Kubrick (de "Laranja Mecânica"). Kubrick incorporou o estilo King de ser, e levou para as telas um hotel tal qual o autor descreve em sua obra. Os personagens, por sua vez, não poderiam estar melhores. O fenomenal Jack Nicholson vive Jack Torrance, numa interpretação que, talvez, nem mesmo o próprio King esperasse para seu personagem. Danny Lloyd, que interpreta Danny Torrance, segue o mesmo caminho.

O clima tenso do livro é elevado à décima potência no filme. Logo na primeira cena, enquanto o Fusca da família Torrance sobe a montanha em direção ao impiedoso Overlook, uma trilha sonora dramática envolve o espectador, e já o prepara para o que vem em seguida, no decorrer do longa. Ou então, na clássica cena de Danny com seu triciclo percorrendo os corredores medonhos do local, mostra toda a névoa de solidão na qual os personagens estão inseridos.

Jack Nicholson está impecável no papel de Jack Torrance

Tanto no papel, quanto na tela da tv, "O Iluminado" é uma obra de horror das mais clássicas e perturbadoras já vistas. A riqueza de detalhes do livro de Stephen King e o tom macabro no qual todo o filme foi rodado por Stanley Kubrick garantem aos fãs do gênero muitos sustos e, quem sabe, alguns pesadelos durante noites mal dormidas.