Às vezes não basta ser amigo. Tem que participar, nos bons e maus momentos. Enfim. Ao receber o e-mail de uma amiga convidando para assistir "Lua Nova", o segundo filme da Saga Crepúsculo na sua casa - para, depois, assistir "Eclipse", a sequência do longa, no cinema, pensei como cinéfilo assíduo e mesmo já sabendo da, bem... digamos... "coisa" que me esperava, resolvi aceitar o convite. E ai vai uma dica, caro leitor: se alguém te convidar para assistir "Lua Nova", corra. Mas corra como se sua vida dependesse disso, como o diabo foge da cruz, como o Cascão corre da água. Depois não diga que eu não avisei!
O clã Cullen e a humana causadora de todos os problemas, Bella
Sim, porque existem coisas que podem destruir uma amizade, se ela não for forte o suficiente. "Lua Nova" é uma delas. E não pense que "Eclipse", embora 0,000001% melhor do que o filme anterior, é diferente. Ambos são PÉSSIMOS filmes. Péssimos porque não existe uma palavra pior (ou melhor) para definir o quanto essa "saga" é deprimente e vergonhosa para qualquer pessoa com mais de 15 anos de idade e bem resolvida emocionalmente. Tudo é muito ruim, tudo. Desde o visual, o roteiro e, claro, as atuações... Ah, as atuações...
Para quem não conhece muito bem a história do trio Isabella (Bella) Swan, a humana egocêntrica, Edward Cullen, o vampiro vegetariano e Jacob Black, o lobisomem depilado, ela começa quando Bella se apaixona por Edward. Então transcorrem-se sequências intermináveis de um romantismo barato, até que Bella descobre que seu melhor amigo, o tal do Jacob, também não é nem um pouco normal, afinal, ele é um lobisomem e inimigo natural dos vampiros.
Em "Lua Nova", Edward acha melhor se afastar de Bella, para que ela se esqueca dele e tenha uma vida normal. Não dá certo. A garota cai numa depressão lascada, quase tangível, o que acaba transformando o filme num verdadeiro martírio. É, meu amigo, é necessário muita força de vontade para ver esse filme até o final. Xingamentos são permitidos - e inevitáveis. Já em "Eclipse", Bella se vê em meio à uma batalha entre vampiros que querem protegê-la (os Cullen) e os que querem devorá-la. Infelizmente, ela sai ilesa da guerra, o que dá brecha para mais um filme... "Amanhecer", que estreia ano que vem.
É com um roteiro capenga desses que David Slade, diretor de "Eclipse" (e também do ótimo "30 dias de Noite"), tem que trabalhar. Mas coitado, é impossível fazer algo que preste, por mais que o diretor tenha se esforçado - e ele tentou, mesmo. O filme poderia muito bem ter, pelo menos, 30 minutos a menos de duração. Ele é arrastado, cansativo, com diálogos clichês, cheios de um romantismo tão brega que faz com que o espectador sinta vontade de sair no meio do filme e vomitar. Ou, no mínimo, dar muitas gargalhadas. Escolhi essa opção. E todas essas "qualidades" do filme também podem ser agregadas à "Lua Nova", do diretor Chris Weitz (o mesmo do horrível "A Bússola de Ouro"), porém, numa dose muito maior, já que o filme é uma das coisas mais depressivas que eu já vi no cinema.
Se os diálogos são, hum... lamentáveis, as atuações conseguem se sair ainda pior. Podemos dizer que a produção escolheu a dedo Kristen Stewart (Bella), Robert Pattinson (Edward) e Taylor Lautner (Jacob): os três são horríveis e ficam apagados por qualquer personagem secundário que surge, como a vampira Jane, vivida pela ótima Dakota Fannigan. Para se ter uma comparação bem precisa, se os três atuassem em "Malhação", seriam muito pior do que o Fiuk, por exemplo.
É certo que a raça humana tem gostos estranhos. É certo também que o brasileiro gosta de muita porcaria (Hein? Alguém falou Restart? Ou então Bonde do Tigrão? Não, não, foi Calcinha Preta!), mas é simplesmente impossível conceder a ideia de "Eclipse", um dos piores filmes já feitos pela raça humana - seguido de seus antecessores, possa atrair tanto público às salas de cinema e se tornar a maior bilheteria numa estreia dos últimos 20 anos. Sério, existe alguma coisa muito errada com os adolescentes de hoje em dia. Assistir à esse vampirismo deformado deveria ser probido por lei!


