Monday, December 13, 2010

"Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada" mescla aventura e religião

Assistir à "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada", terceiro filme da série baseada nos livros de C. S. Lewis, foi uma experiência interessante. Eu estava em meio à um grupo de quatro pessoas, e dessas, apenas duas (eu e meu irmão), somos profundos conhecedores do reino narniano (lemos todos os livros e acompanhamos os filmes lançados anteriormente). Uma terceira pessoa nunca leu os livros, mas já assistiu "O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa" e "Príncipe Caspian", precursores deste longa. A quarta pessoa jamais leu os livros ou assistiu os demais filmes. Mas ao final da exibição, todos tinham a mesma opinião: o terceiro longa é bom, e atende todos os públicos.


Do meu ponto de vista, isso é bom. Ao mesmo tempo que "A Viagem do Peregrino da Alvorada", mesmo sendo o terceiro de uma série de filmes, não deixa brechas para dúvidas, mesmo fazendo referência aos filmes anteriores, ele também brinda os fãs mais ardorosos da franquia com detalhes que os demais não vão captar, como a citação de Jill Pole ao final da aventura, deixando claro que os produtores querem, e muito, continuar a saga com "A Cadeira de Prata", que na humilde opinião deste que vos escreve, é o melhor de todos os livros.

Claro, muita coisa remete aos filmes anteriores, como por exemplo, quando Lúcia (Georgie Henley) e Edmundo (Skandar Keynes), ao serem resgatados do mar por Caspian (agora Rei), questionam se ele os havia convocado. E ele responde que não (para quem não sabe, Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, no segundo filme, vão à Nárnia após um chamado de Caspian). São pequenas as referências, que não atrapalham, já que os fãs conhecem a história a fundo, e para os mais leigos, não chegam a atrapalhar.

Claro, a terceira aventura traz muitas novidades. A primeira delas é o primo estressado dos irmão Pevensie, Eustáquio Scrubbs (Will Pouter). Toda a história de "A Viagem do Peregrino da Alvorada" é contada pelo seu ponto de vista, que não é dos melhores, diga-se de passagem. Junto à Lúcia e Edmundo, ele acaba indo à Nárnia para ajudar Caspian a encontrar os sete fidalgos desaparecidos, ao mesmo tempo, livrar o país de um mal muito pior.

E Eustáquio é, de longe, um dos melhores personagens desse filme. Estreando no universo narniano, Pouter, ator mirim que interpreta o rabugento e mimado garoto, dá um show de interpretação e coloca atores já conhecidos na franquia, como Keynes, o Edmundo, no chinelo. O que é extremamente importante, já que num possível próximo filme ("A Cadeira de Prata"), sem os irmãos Pevensie, é Eustáquio, ao lado da jovem Jill, quem deve segurar as pontas. Henley, a Lúcia, por sua vez continua a mesma gracinha de sempre.


De resto, esse terceiro filme segue à risca os anteriores. Efeitos especiais de cair o queixo e uma trilha sonora incrível (para mim, uma das melhores entre os filmes de fantasia). Aslam está mais lindo (e real) do que nunca, assim como Ripchip, o simpático roedor espadachim. Mas se algo mudou, esse algo é o roteiro. Para quem leu os livros de Lewis, sabe que ele é sempre direto. Por isso, os roteiristas acrescentaram elementos no filme, como uma batalha final mais "nervosa". Isso ajuda a enriquecer a trama, uma vez que o livro não tem uma história tão complexa.

Outra coisa que deve ser citada é o enfoque mais humano (e até religioso), que esse filme desenvolve. Logo no início, vemos uma Lúcia já crescida, até mesmo interessada em garotos e em ficar mais bonita. Isso foi abordado, de maneira sutil, por Lewis em "A Última Batalha", sétima das crônicas, mas com Susana. O diretor Michaal Apted também resolveu (quase), dar nome aos bois e deixa quase explícito que Aslam, o Leão, é a representação de Deus, numa das cenas finais.

De um modo geral, "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada", pode ser definido assim: uma mistura entre o primeiro e o segundo filmes da série. Ele mescla elementos mais teológicos, bastante abordados no primeiro longa, com cenas mais violentas de batalha criadas no segundo. A mistura não é ruim, mas, como dito no começo da análise, o resultado final não passa do "bom" (em tempo, ainda acho estranho crianças batalhando e empunhando espadas melhor do que adultos).

Friday, December 10, 2010

As pessoas mais sortudas do mundo!


Sério: elas nasceram de novo!

Você. Quatro pessoas. Um elevador quebrado. E o Demônio

A sinopse é simples, mas funcional: cinco pessoas ficam presas dentro de um elevador. Uma delas é o Demônio. O Coisa-Ruim. O Pestilento. O Diabo em pessoa. Lúcifer. O Anjo Caído. Ok, acho que você já entendeu. "Demônio" (Devil, no original em inglês), chegou por aqui no dia 26 de novembro, prometendo levar pânico aos espectadores. Embora possua um roteiro muito bem construído por M. Night Shyamalan (sim, ele mesmo, de "O Sexto Sentido"), o filme dirigido por John Erick Dowdle assusta pouco.


Um Segurança com claustrofobia. Uma velhinha estressada. Uma golpista de marca maior. Um vendedor de colchões. Um mecânico. Esse é o grupo que fica preso no elevador, no 17º andar de um edifício. E é ai que o personagem título surge. Praticamente toda a ação se dá dentro do elevador, o que acaba por preparar o espectador. Por exemplo, antes que uma morte aconteça, as luzes se apagam, lançando o espectador num breu total. Quando elas voltam a se acender, alguém já morreu.

Como dito anteriormente, o roteiro é simples, mas muito bem escrito, contando até com uma mescla entre filme de terror, suspense e policial. As atuações, embora não sejam nada extraordinário, cumprem seu papel. O melhor do filme, com certeza, é a dúvida que ele gera. Afinal, assim como as pessoas presas, todos querem saber quem ali dentro está cometendo os crimes.

Obviamente, eles chegam a conclusão de que algum deles possa ter o demônio no corpo. Tem uma explicação para isso: no início do filme, uma "lenda" é contada, dizendo que um suicídio sempre "abre a porta" para que o Diabo entre no nosso mundo. Uma vez aqui, coisas ruins passam a acontecer (do tipo, o pão cai com a geleia para baixo e coisas desse tipo). E, adivinhe? Claro, o filme começa com um suicídio! \o/

Se você quer ver um filme que te assuste de verdade e te deixe com medo até da sua sombra, "Demônio" não é seu filme. Embora bem construído, foi erroneamente classificado como Terror. É Suspense. Nada muito fora do comum, mas é suspense. O que ele pode fazer, no mínimo, é te fazer pensar duas vezes antes de entrar num elevador. Ou de bater um papo com o "Demo".



Tuesday, December 7, 2010

A amizade emociona


Lá estava ele, no palco, lugar onde adora estar. Mas dessa vez era por outro motivo. ELe não encarnava nenhum personagem, era ele mesmo. A sua camiseta estampava os arlequins do anonimato, da fama e do esquecimento, enquanto seu rosto estampava um nervosismo sem fim. Então, ele agradeceu e começou a falar. Oratória nata, claro. Encantou durante os 30 minutos que lhe eram designados. Continuou encantando também depois, amigos e professores. Assim como eu, ele demorou quatro anos para estar ali. Quatro anos de uma certa dor de cabeça, que já começa a dar saudade.

Ao término, as palmas. E elas vieram arrebentando tudo, como uma onda que estoura na praia na maré alta. Ele fechou os olhos e socou o ar. "Consegui, porra!". Não leio mentes, mas tenho quase certeza que foi nisso que ele pensou. Foi exatamente o que eu pensei quando terminei de falar também. A banca, só elogios. Rasgados. Sem suspense. E veio o "Aprovado", aquela palavra que todos esperam (e querem), ouvir nessa altura do campeonato. E com ela veio uma nova onda de aplausos, gritos e assovios. Vieram pulos lá no palco e novos socos no ar. Vieram as lágrimas. De felicidade.

Todos estavam felizes.
Ver um amigo se dar bem na vida é algo que faz bem pra nossa alma.
Enquanto escrevo essas palavras, olho para a capa de "Trifásico" e me orgulho dele. Do seu autor. Não tive relação nenhuma com o resultado final, mas ver ali, naquela folha de papel, aquela dedicatória direcionada a mim, emociona. A amizade emociona.

Monday, December 6, 2010

Quatro anos. Cinco meses. Uma sigla. Uma palavra.

2007. 2008. 2009. 2010...
Esses foram os anos que eu passei dentro de uma faculdade, mais precisamente, a de jornalismo. Entrei sem saber se era isso mesmo que eu queria para mim, passei pela crise do segundo ano, cheguei ao terceiro mais motivado e entrei no quarto e último pensando que fiz a escolha certa. Que bom.
Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro...
Os quatro anos anteriores nos prepararam para esses cinco meses em específico. Aquele em que devemos colocar em prática tudo o que aprendemos até então. Criação de Pautas. Finalização de Roteiros. Gravações de Sonoras. Entrevistas. Decupagens. Coisas que se tornaram atividades cotidianas.
TCC...
Correria. Brigas. Discussões. Mais correria. Agendas lotadas. Horários ingratos. Entrevistas desmarcadas. Fontes não localizadas. Viagens caras. Equipamentos caros. Nervosismo. Estresse. Noites mal dormidas. Trabalho de lado. Família de lado. Vida social de lado. Isso é só um aperitivo de como é fazer um Trabalho de Conclusão de Curso, independente da mídia escolhida. Tudo isso só para ouvir uma única palavra...
"Aprovado".

Friday, November 26, 2010

A Cidade das Cabeças Baixas


Era uma vez uma cidade como qualquer outra. Era uma cidade cheia de prédios altos, ruas movimentadas, motoristas histéricos, vielas mal-cheirosas, mendigos jogados na sarjeta e lojas de madames infelizes. Na caída da noite, quando a iluminação natural do sol dava lugar à escuridão acolhedora, luzes artificiais iluminavam bares toscos, prostíbulos abarrotados e assaltantes no aguardo de sua próxima vítima. Como dito, era uma cidade como tantas outras espalhadas pelo mundo. Mas uma coisa era muito particular nessa cidade: todos caminhavam de cabeças baixas, olhando para o chão, olhando os próprios pés. Por isso, o lugar era conhecido como "A Cidade das Cabeças Baixas".

Na "Cidade das Cabeças Baixas", nenhuma pessoa cumprimentava a outra pela manhã, durante o café. Ao acordar, as pessoas sentavam-se à mesa e comiam, fixos no prato à sua frente, em silêncio. Pareciam seres estranhos. Na "Cidade das Cabeças Baixas", ao sair de casa e caminhar pelas ruas, as pessoas não se olhavam. Os mendigos, jogados ao chão, eram a principal visão dos moradores, assim como as bocas-de-lobo, as raízes das árvores, os pés dos transeuntes. Ninguém se importava com os olhos das pessoas. Na "Cidade das Cabeças Baixas", tudo, e todos, pareciam tristes.

Em meio à todas essas pessoas havia um rapaz. E ele era exatamente como os outros, afinal, morava na "Cidade das Cabeças Baixas". Ele também andava cabisbaixo pelas ruas, sem admirar a beleza de um céu azul ou o brilho das estrelas presas no veludo escuro da noite. Mas, um dia, a vida desse garoto mudou. O sol já dava lugar ao crepúsculo diário da cidade. Assim como em todos os dias, os carros passavam, velozes, na ânsia de chegar às suas garagens. Mãos nervosas acionavam as buzinas. Mães nervosas berravam com os filhos. Um mar de gente de cabeças baixas, e o jovem era apenas mais um gota.

Foi quando ele avistou um objeto no chão, próximo à um alto edifício residencial. O rapaz parou, e ficou observando. Ombros apressados batiam contra o seu, fazendo-o perder o equilíbrio. Ele abaixou-se e pegou o objeto. Não era nada demais, só um celular que, agora, parecia quebrado. O rapaz não deu muita importância, mas quando se preparava para continuar sua caminhada, foi surpreendido por uma voz:

- Hei, você! Isso aí é meu! - gritou uma voz doce e agradável, que parecia vir do alto.

Incrível como a gente nunca sabe quando vamos fazer algo pela primeira vez na vida. Foi assim que aconteceu com o rapaz. Ao ouvir aquele chamado, ele levantou o olhar para o prédio. Era a primeira vez que ele via algo tão bonito. Não, não me refiro à construção em si, uma série de apartamentos com belas janelas brancas com cortinas esvoaçantes, assim como também não me refiro ao céu colorido, que ia do azul ao roxo, passando por uma explosão escarlate do final da tarde, tudo isso elementos do cotidiano nos quais ele nunca havia reparado. Me refiro à dona da voz, com seu cabelo louro jogado para trás pelo vento. A garota postava-se debruçada sobre o parapeito de um dos apartamentos, olhando para baixo, mas de uma maneira diferente de como o garoto olhava.

E ela o fixava. Havia falado com ele, que por sua vez, ficou paralisado. Eram tantas novidades no seu mundinho cabisbaixo. Teve vertigem e quase caiu de costas. Naquela cidade onde nunca ninguém olhava nos olhos de outra pessoa, ela o fez. Naquela cidade onde uma pessoa jamais dirigia a palavra à outra, ela também o fez. O garoto sorriu. Também era uma das poucas vezes que ele fazia isso.

- Espere ai! - voltou a gritar a garota, desaparecendo da janela.

O jovem continuou olhando para cima e quando se deu conta, ela estava ao seu lado, imóvel. Sua mão estava estendida, com a palma virada para cima. Com um sorriso, pediu o aparelho de volta. Entorpecido, o rapaz o devolveu. A garota sorriu em agradecimento, mostrando dentes brancos e simpáticos. Deu meia volta, jogando os longos cabelos contra sua face e desapareceu.

Ele ficou ali, parado, em meio à uma gente apressada, que trombava com ele e não pedia desculpas. Ele não se importou. Deu meia volta e olhou o sol poente, lançando sobre a cidade seus últimos raios escarlates. O garoto agradeceu por presenciar uma cena tão bela. Continuou seu caminho pela Cidade das Cabeças Baixas. Mas agora ele sabia que já ão fazia mais parte dela.

Sunday, November 21, 2010

Harry Potter e o início do fim


A cena surgiu na tela do cinema exatamente como eu havia imaginado quando li "Harry Potter e as Relíquias da Morte". Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger capturados e levados à casa dos Malfoy. Harry e Rony são atirados no calabouço, onde encontram a amiga Luna Lovegood, enquanto Hermione, a sangue-ruim, é torturada pela bruxa Belatrix Lestrange, sangue-puro. Eis que, em meio ao terror, Harry recebe a visita de Dobby, o elfo doméstico liberto por ele em uma outra aventura. Com a ajuda de Dobby, Harry e Rony escapam da masmorra e partem para salvar Hermione. Um confronto com os Malfoy é inevitável. Belatrix ameaça cortar a garganta de Hermione se os amigos não entregarem suas varinhas. Novamente, Dobby surge e afasta Belatrix da jovem bruxa, enquanto Harry desarma Draco Malfoy. Fazendo juras de amizade eterna, Dobby aparata, levando Harry, Rony e Hermione com ele. Leva também uma faca de Belatrix, atirada no último momento, e que acaba matando o elfo doméstico livre.

Não vou negar que chorei no cinema ao assistir essa cena. Essa era, para mim, uma das mais aguardadas de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1", que estreou nas telas brasileiras na sexta-feira, dia 19, causando furor entre os fãs da série. E foi justamente para esse público que o diretor do longa, David Yates, conduziu a história. A melhor adaptação para o cinema dos livros de J. K. Rowling até agora, HP7 presenteia o espectador e fã do bruxinho com cenas memoráveis que mostram a dor da perda, a força da amizade e a eterna luta do bem contra o mal, aqui representado pelo sanguinário Lorde Voldemort (Ralph Fienes).

Um dos filmes mais aguardados do ano, HP7 mostra o início das buscas do trio de amigos bruxos em busca das Horcruxes, objetos mágicos espalhados pelo mundo que contem parte da alma de Voldemort. Harry precisa encontrar - e destruir - seis Horcruxes. Só então poderá derrotar o Lord das Trevas, ou Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Em meio à sua busca, porém, Harry precisa despistar os Comensais da Morte, eternos seguidos de Voldemort. Nesta tormenta, ainda, Harry conhece o Conto dos Três Irmãos e a lenda das Relíquias da Morte, que juntas, fazem de um bruxo, invencível.

Ver tudo isso no cinema, para muitas pessoas, pode parecer "só mais um filme" de magia. Porém, quem acompanhou a história de Harry e seus amigos desde o início, quando o garoto tinha apenas 10 anos de idade e o acompanhou por todos esses anos, crescendo junto à ele, tem um gostinho especial ao assistir ao sétimo filme, dividido em duas partes. Em HP7 Harry precisa fazer decisões o tempo todo, precisa extrair de dentro dele tudo aquilo que ele tem de melhor, num momento em que tudo que lhe parece familiar vai desmoronando.

Como disse acima, HP7 é a melhor adaptação dos livros de Rowling para o cinema até agora. Claro que isso já era esperado, desde o momento em que foi anunciado que o último livro da saga seria dividido em duas produções. Todos os momentos marcantes estão lá, desde a fuga da casa dos tios trouxas e a morte da fiel companheira Edwirges, até a briga com o amigo Rony, que abandona a jornada.

Não é sequer preciso dizer da parte técnica do longa, já que tudo é de extremo bom gosto. Efeitos especiais de primeira linha, atuações fantásticas - tanto por parte dos personagens principais quanto dos secundários, uma fotografia de cair o queixo, o que já é característica da série. Tudo isso transforma o longa em uma boa opção, também para quem não é tão fã assim da saga do bruxo.

O primeiro HP7 nos dá uma boa ideia do que aguardar da segunda parte da história, que será lançada no meio do ano que vem. Esse foi apenas o início do fim, e foi mehor do que qualquer fã poderia imaginar.