Friday, March 12, 2010

Estreias do Cinema desta sexta-feira

Ilha do Medo (Shutter Island)

Em 1954, no auge da Guerra Fria, o detetive americano Teddy Daniels e seu parceiro Chuck Aule são levados para Shutter Island, local que abriga o impenetrável Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, a fim de investigar o misterioso desaparecimento de uma assassina. Enquanto uma tempestade se aproxima, as suspeitas ficam cada vez mais assustadoras. Dentro de um hospital assombrado pelas terríveis atitudes passadas de seus pacientes e pelos planos desconhecidos de seus médicos, Teddy começa a perceber que, quanto mais se aprofunda na investigação, mais é forçado a encarar alguns de seus piores temores. E entende que pode nunca sair vivo da ilha.

Diretor: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Michelle Williams, Ben Kingsley
Gênero: Policial, Ação
Duração: 138

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Lembranças (Remember Me)
Robert Pattinson ("Crepúsculo") interpreta Tyler Roth, um jovem rebelde de Nova York, que tem uma relação tensa com seu pai, interpretado por Pierce Brosnan ("Mamma Mia!"), desde que uma terrível tragédia separou sua família. Tyler não acredita que alguém no mundo poderia entender o que ele sente até o dia em que conhece Ally, interpretada por Emilie de Ravin ("Inimigos Públicos") através de uma reviravolta incomum do destino. O amor era a última coisa em sua mente, mas como o seu espírito de forma inesperada é curado, ele começa a se apaixonar por ela. Através do seu amor, ele passa a encontrar a felicidade e o sentido de sua vida. Mas logo, segredos são revelados, e as circunstâncias que os reuniu lentamente ameaçam separá-los. Lembranças é uma inesquecível história sobre o poder do amor, a força da família e a importância de viver apaixonadamente, valorizando cada dia de nossa vida.

Diretor: Allen Coulter
Elenco: Robert Pattinson, Chris Cooper, Pierce Brosnan, Emilie De Ravin
Gênero: Drama
Duração: 118

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Histórias de amor duram apenas 90 minutos

Jovem escritor, às voltas com romance que não consegue escrever, vive no mais profundo ócio. Tem 30 anos, mas age como se fosse um adolescente. É talentoso, mas dispersivo: escreve duas frases e logo desiste. Casado com Julia, professora de Belas Artes, mulher linda e resolvida, vive crise de relacionamento, provocada pela forma antagônica com que vêem a vida: Zeca não quer nada, Julia sabe o que quer. Enquanto a professora dedica-se ao mestrado - ela quer estudar em Paris -, Zeca passa seu tempo perambulando pelas ruas, ruminando reflexões sobre o mundo e sua vida sem objetivos, observando as pessoas, pensando nas histórias que nunca irá escrever, filosofando inutilidades. Zeca é infeliz, porém conformado. Até o dia em que começa a acreditar que Julia o está traindo. E para sua surpresa, com outra mulher.

Diretor: Paulo Halm
Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota, Daniel Dantas
Gênero: Comédia
Duração: 93

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Aproximação (Disengagement)

Um jovem israelense viaja à França para acompanhar o funeral do pai e lá encontra Ana, sua meia-irmã. A aproximação dos dois acontece de maneira serena e amistosa, porém, durante a leitura do testamento, Ana ficará chocada com o seu conteúdo revelador, capaz de trazer a tona verdades e segredos que acreditava pertencerem somente a ela. Atendendo a uma das vontades do falecido pai, Ana vai a Israel acertar contas com um passado que ela escondia, no mesmo momento em que acontece a retirada das forças armadas da faixa de Gaza.

Diretor: Amos Gitai
Elenco: Juliette Binoche, Jeanne Moreau, Dana Ivgy, Liron Levo
Gênero: Drama
Duração: 115

Uma nau de sentimentos...

Amor. Raiva. Paixão. Piedade. Ódio. Tristeza. Incrível como o ser humano pode ter tantas sensações ao mesmo tempo. Irritação com o computador travado; alegria ao receber um e-mail daquela pessoa especial; impaciência com a moça do call center ao telefone; revolta ao ler sobre a morte de uma pessoa boa demais para ter partido. Tudo isso, no mesmo dia, na mesma hora, no mesmo minuto...

Cães estão sempre felizes, principalmente quando, depois de um dia sem ninguém para brincar, ouvem o barulho do portão se abrindo e o som dos passos do seu dono que se aproxima. Quando isso não acontece, pronto, você sabe que seu animal não está bem. Os seres humanos não são assim. É como se precisássemos andar por ai com uma bola de cristal, igual à da Mãe Dinah, para adivinhar como aquela pessoa está naquele momento. Brigou com alguém? Prendeu o dedo na porta? Tropeçou na beirada da cama? Ouviu um "Eu te amo" do amor de sua vida? Ouviu um "não" do amor de sua vida?

Impossível a gente saber disso de imediato... Sabe como a pessoa está se sentindo assim, de imediato... Mas a gente sabe quando o cachorro está feliz.

Wednesday, March 10, 2010

Lema


Na noite de horror
na noite homicida

com o coração aquecido
minh' alma ilumina

quando a guerra da luz parecer perdida
a esperança brilha nas estrelas acima

(Lema dos Lanternas Azuis)

Monday, March 8, 2010

Um heroi feito de saco de estofa


Um mundo pós-apocalíptico, totalmente destruído pela ganância humana e pela ira das máquinas. É nesse cenário que a animação "9 - A Salvação", do diretor Shane Acker, tem início. 9, o personagem que dá título ao longa, nada mais é do que um simples boneco de tecido, com partes robóticas, que, ao ganhar vida, pensa estar sozinho naquele mundo destruído. Mas não está. Logo, ele descobre que existem outros como ele, e que a situação do mundo não é nada boa.

9 descobre que uma guerra entre humanos e máquinas - criadas por nós mesmos -, resultou na extinção total da raça humana e que eles, bonequinhos de estofa, são os únicos "seres vivos" presentes na Terra. A coisa piora ainda mais quando 9 desperta a "máquina-mãe", que estava adormecida desde o fim da guerra. A máquina tem, agora, um objetivo macabro: possuir as almas presentes dentro de cada um dos bonecos, que fazem com que eles possam viver. A partir daí, o longa mostra as aventuras do grupo para sobreviver à um ataque de máquinas enfurecidas - no melhor estilo "O Exterminador do Futuro" e a SkyNet.

Apadrinhado pelo diretor e queridinho do público Tim Burton, o longa derivou de um curta metragem, de mesmo nome, criado em 2005, e que rendeu à Acker uma indicação em Melhor Curta-Metragem no Oscar de 2006. Mas, mesmo com o tom sombrio característico de Burton, a animação não empolga muito. Tentando seguir a linha Wall-E de ser, 9 trás, logo nos primeiros minutos de filme, vários minutos do mais puro cinema mudo. Mas se no filme da Pixar isso foi usado com maestria, em 9 o recurso gera apenas um desconforto no espectador. São cenas cansativas, que tentam mostrar o quão solitário aquele lugar é... Mas não consegue.

Visualmente falando, o filme é bastante belo. A equipe se esforçou em fazer uma bela direção de arte. Os bonequinhos até são carismáticos, e alguns deles bem convincentes, como o medroso 5 ou os gêmeos-mudos-nerds 3 e 4. Claro que 9, como o título sugere, é o principal na história e, ao mesmo, o causador e a solução de todos os problemas, mas, como personagem, ele é superficial demais.

Se contarmos quantas vezes a Terra já foi destruída, esse número não caberia nos dedos das mãos. Afunilando um pouco mais, se contarmos quantas vezes o planeta já foi destruído por máquinas, ai sim a conta gera um número mais restrito. Mesmo assim, nada que você verá em "9 - A Salvação", é inédito. Ele bebe diretamente da fonte do já citado "Exterminador do Futuro" e até mesmo de "Matrix".

O fato a se levar em consideração, talvez, seja o fato do salvador ser, agora, um bonequinho de estofa. O que não é suficiente para fazer do filme uma obra de arte. Na verdade, o ritmo lento e fraco do filme mostra que, talvez, a equipe precise aprender um pouquinho mais com a Pixar em como fazer um bom filme de animação.

Depois do Oscar...

Hoje pela manhã, recebi um e-mail de um amigo revoltado com o resultado da premiação do Oscar 2010. Ele, torcendo por "Avatar", do já oscarizado James Cameron, reclamou da vitória de "Guerra ao Terror", de Kathryn Bigelow. Ainda não tive a oportunidade de assistir o filme que fala sobre a guerra do Iraque, mas estou entusiasmado para ver (e não só porque ele ganhou o Oscar), mas que "Avatar" era também meu favorito, isso era.


Como respondi para esse meu amigo, eu aprendi a respeitar a Academia depois que assisti "Quem Quer Ser um Milionário?", que levou oito - sim, oito - Oscar's, inclusive o de melhor filme em 2008 - para quem não se lembra, esse filme era tipo como o azarão da competição. Mas, quem assistiu a cerimônia até o final (como eu também assisti), percebeu claramente que "Avatar" não ia levar os prêmios principais. Ele levou tudo o que podia pela parte técnica, feito mais do que merecido, mas "Guerra ao Terror", talvez por tocar na maior ferida americana atual, venceu o longa de Cameron em todas as categorias que concorreram juntos.

Claro, até o último minuto torci por "Avatar", mas quando Kathryn Bigelow venceu por Melhor Diretor, estava óbvio que o prêmio de Melhor Filme também seria para ela. O que eu achei, um pouco, injustiça. Avatar se propôs a mudar o cinema, mudar nossa maneira de ver um filme. Inovou na maneira de contar uma história e foi recorde de bilheteria. A Acadêmia tinha que reconhecer esses feitos. Não o fez... Para ela, um filme levar tanta gente ao cinema é normal, comum.

Talvez, quem venceu esse Oscar não tenha sido Kathryn Bigelow ou "Guerra ao Terror", mas sim, o egocentrismo e a prepotência americana.

Saturday, March 6, 2010

Cultura para todos (?)

Mãe e filha observavam as revistas expostas em uma banca de jornal, até que a garotinha, de seus sete, oito anos de idade, se depara com uma revista com uma personagem azul, de olhos profundos e orelhas pontudas estampando a capa. "Avatar!", grita a criança, toda empolgada. A mãe, por sua vez, olha para a menina, depois para a publicação e diz "Que legal né. Amanhã a gente vê se o filme ganha o Oscar".


Foi uma cena rápida. Não durou nem 10 segundos, mas foi o sufciente para fazer emergir em mim um pensamento: o Brasil está ficando mais desenvolvido culturalmente ou isso ainda é uma utopia? Parado, ali, na banca de jornais, com meus quadrinhos nas mãos, pensei rapidamente na resposta. Depois, enquanto dirigia de volta para casa, raciocinei um pouco mais... e mesmo agora, enquanto escrevo esse texto, fico me questionando sobre isso.

Ainda não cheguei à uma resposta, mas alguns fatos podem ajudar em sua busca. Por exemplo, o fato do brasileiro, a cada dia, parecer se interessar (e consumir) mais cinema. A garotinha que se empolgou com Neytiri é um exemplo. Ela havia visto o longa (mesmo não pertencendo à sua faixa etária) e com certeza havia gostado. Ela me fez lembrar de mim mesmo quando assisti a trilogia clássica, da década de 1970, de Star Wars. Aquela ficção me marcou muito, e talvez, seja a propulsora da paixão que tenho, hoje em dia, pelo cinema.

Talvez Avatar tenha causado na pequenina o mesmo que Star Wars causou em mim. Quem sabe, no futuro, ela seja uma grande consumidora de cinema como um todo? Quem sabe, do cinema, ela salte para a literatura, para a música e, quando perceber, tenha uma personalidade toda voltada para a cultura? Os filmes podem fazer isso... Mas, se esse fato se consumar, a pequena garotinha vai ter um sério problema. Ainda é muito caro consumir produtos culturais no Brasil. Vivemos, muito bem, obrigado, com altíssimos preços nos cinemas, em peças teatrais, nos livros e em qualquer outra atividade cultural. E, a bem da verdade, numa sociedade onde muitos ainda passam fome, consumir esse tipo de "mercadoria" parece, para muitos, jogar dinheiro no lixo.

Pesquisas já mostraram que uma sociedade mais desenvolvida culturalmente gera uma população mais culta, inteligente e capaz de transformar ela mesma num lugar melhor de se viver. Mas como fazer isso no Brasil, se uma simples entrada de cinema custa cerca de R$ 18,00? Onde, para assistir uma peça de teatro, seja necessário desembolsar mais de R$ 40,00 ou R$ 50,00? Onde um livro custa mais de R$ 30,00? Nesse sentido, o Brasil ainda precisa evoluir muito. Quem sabe, num futuro próximo, nós poderemos fazer parte de uma sociedade, ainda mais, consumidora de cultura, pagando um preço mais justo para isso.

Monday, March 1, 2010

A eterna busca pela beleza

Estava eu, confortavelmente instalado no sofá da minha casa, neste domingo à noite, zappeando pelos canais de televisão. É claro que não havia nada de interessante para ver. Programas genéricos com quadros genéricos, filmes de baixa produção, padres cantores soltando a voz e levando os fiéis ao delírio e, óbvio, reality shows ainda mais genéricos do que aqueles programas das emissoras concorrentes... Mas eis que um programa em si me chamou a atenção, e antes fosse pela sua qualidade - não era. Me chamou a atenção pela curiosidade.

Era um desses enlatados americanos de dublagem duvidosa que mostravam a vida e o trabalho de cirurgiões plásticos e suas/seus respectivos pacientes. Foi a escalada do programa que me fez parar de zappear e assistir, um pouco horrorizado, pelo o que ainda viria pelos próximos minutos. As chamadas mostravam mulheres que fariam vários tipos de cirurgias. Ok... Primeiro, foi a vez de uma bela loira gordinha. Ela disse que faria lipoaspiração e aumentaria e levantaria as mamas. Aproveitou a oportunidade de ter uma câmera em sua frente e contou uma história triste. Disse que já fora magra e tinha várias amigas, mas quando engordou, todas desapareceram. Os rapazes também sumiram.

Hum... Se ela se sentir melhor com isso, que faça, pensei eu. Mas um dos motivos que me fez ficar horrorizado veio em seguida. A irmã da gordinha, uma tal de Mary, iria aproveitar a deixa da irmã e também ia fazer uma cirurgia: iria aumentar os seios. Tudo bem se não fosse dois detalhes: 1) ela tinha acabado de fazer uma cirurgia diminuindo o nariz, há pouco mais de três meses e 2) ela tinha 17 anos! Fiquei abismado, mas fiquei ainda mais com o que veio em seguida.

Uma tal de Tabatha, de 36 anos, iria, de novo, "entrar na faca". Não me recordo qual operação ela estava querendo fazer dessa vez - sim, dessa vez -, até porque a chamada não disse. E isso não era o importante. O importante é que ela maluca - maníaca mesmo - por plásticas. Já tinha feito uma lipoaspiração, aumentado os peitos, arrumado o nariz, operado o queixo duas vezes e também as bochechas! Fiquei me perguntando se alguma coisa nela era natural...
Esses dois casos me fizeram pensar. Pensar nas loucuras que o ser humano faz para ficar belo - ou o que ele pensa ser belo. Sim, porque no caso dessa Tabatha que falei acima, ela já estava quase parecendo uma boneca - e não encare isso como um elogio. Ela não tinha expressão alguma, e ainda cogitava outras plásticas, para ficar mais bonita. Não sou contra as cirurgias plásticas, muito pelo contrário. Em mim mesmo vejo coisas que gostaria de "arrumar". Mas essas operações só devem ser feitas se forem ajudar o paciente a melhorar sua auto-estima e a sua saúde, e sem exageros! Será que uma garota de 17 precisa mesmo, de verdade, de uma segunda plástica? Será que uma mulher que já fez dezenas de cirurgias ainda acha imperfeições em seu rosto que devem ser alteradas?

E isso nos leva para um outro pensamento: afinal, o que é o bonito? Será que essas mulheres querem "melhorar", realmente, para se sentirem melhor ou para as outras pessoas? O que é bonito para mim, não é bonito para outras pessoas. Meus amigos acham a Angelina Jolie a mulher mais linda do mundo. Ela é bonita, claro, mas eu, na minha humilde opinião, gosto mais da Natalie Portman, usando como exemplos atrizes Hollywoodianas. Questão de opinião.

Será que vale tudo pela beleza? Será que o ser humano é tão mesquinho a ponto de valorizar mais o que existe por fora da pessoa, do que o que existe por dentro? Não gosto de admitir, mas acho que a resposta é "sim"...