O que você faria por uma grande amizade? Ou, por um grande amor? Estaria disposto a abandonar tudo, a aceitar todo tipo de coisa, a viver uma vida incomum e às escondidas só por causa desse amor? Pode parecer estranho, mas é justamente sobre esses tipos de questionamentos que o longa de terror e suspense “Deixe-me Entrar”, trata. Sob todo o fundo obscuro, macabro e, em certos momentos, assustadores que percorre o filme, no fundo, a história tem tons de romance.
Mas não se deixe enganar: mesmo com essa premissa de apresentar um filme de terror por uma perspectiva mais “romântica”, “Deixe-me Entrar” é um dos melhores filmes do gênero Terror/Suspense lançados nos últimos anos. Créditos para o diretor Matt Reeves (de "Cloverfield - Monstro"), que fez um ótimo trabalho nessa refilmagem do longa "Deixe Ela Entrar", de 2008, do diretor sueco Tomas Alfredson, baseado no livro do também sueco John Ajvide Lindqvist (que assinou o roteiro do filme original), "Let The Right One In" (algo como "deixe o escolhido entrar").
A história gira em torno do casal juvenil Owen e Abby. Owen é um garoto de “12 anos, oito meses e nove dias”, como ele mesmo diz, que é o típico garoto solitário, sem amigos, perseguido pelas outras crianças no colégio. Abby, uma garota de “12 anos, mais ou menos”, muda-se para o apartamento ao lado do de Owen, e os dois iniciam uma amizade. Porém, essa amizade vai se revelar muito mais estranha (e perigosa), do que o garoto esperava.
Quando uma série de pessoas são encontradas mortas na cidade, sem uma gota de sangue no corpo, a polícia local inicia uma busca por uma possível seita satânica. Mas as buscas acabam levando a polícia até Abby, uma garota que foge dos padrões: ela nunca sente frio, mesmo com os pés descalços na neve, tem gostos alimentares diferenciados e não parece gostar (ou saber) de coisas típicas das crianças de sua idade.
É uma história que prende o espectador, com um roteiro bem construído pelo diretor Matt Reeves, uma trilha sonora que ora enche a tela de adrenalina, ora relaxa o público – palmas à Michael Giacchino, o mesmo responsáveis por trilhas de filmes como “Up – Altas Aventuras” e “Star Trek”, e uma fotografia impecável, que ficou por conta de Greig Fraser. Nessa parte técnica, os efeitos visuais são a única coisa que peca por uma certa falta de qualidade. Mas nada que prejudique o filme.
Mas, agora, preste atenção nesse nome: Chloe Moretz. sim, você a conhece e a viu a pouco tempo nos cinemas. A espirituosa Hit Girl, de “Kick Ass – Quebrando Tudo”, volta às telas e interpreta a protagonista, Abby. Não há como negar que Chloe é uma das melhores atrizes juvenis da atualidade em Hollywood: ela esbanja carisma e talento. Ao seu lado, Kodi Smit-McPhee (de “A Estrada”), vive Owen, e também se revela um bom ator.
Ao final das quase duas horas de projeção, o espectador vai ter a certeza de ter conferido um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. Durante todo esse tempo, ele vai construir suas teorias sobre os mistérios que envolvem Abby e sua chegada repentina à cidade. Pode até ser que o filme tenha um final esperado, mas o importante são os acontecimentos que levam até esse momento. Ai, os questionamentos encontrados no primeiro parágrafo do texto podem ser melhor respondidos.
